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“Estamos em um caminho insustentável em relação à política fiscal.” A frase, dita uma semana atrás por Janet Yellen durante o Amundi World Investment Forum, em Paris, resume o tom com que a ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos tem circulado pelos principais fóruns econômicos do mundo nos últimos meses.
Mesmo fora do governo americano desde o início de 2025, a economista de 79 anos continua com os olhos atentos aos indicadores macro, à curva de juros e aos movimentos da Casa Branca sobre o Federal Reserve — e não esconde a preocupação com o que vê.
Yellen está entre as estrelas internacionais da Expert XP 2026, maior festival de investimentos do mundo, que volta a São Paulo entre os dias 23 e 25 de julho.
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A passagem da economista pelo evento brasileiro acontece num momento em que suas declarações públicas têm ganhado peso justamente pelo tom de alerta: dívida soberana, independência do Fed e os efeitos das tarifas comerciais sobre a inflação americana.
Uma carreira que passou pelo topo do Fed e do Tesouro
Antes de se tornar a primeira mulher a comandar o Tesouro americano, entre 2021 e 2025, Yellen presidiu o Federal Reserve de 2014 a 2018, depois de quatro anos como vice-presidente da instituição.
Também esteve à frente do conselho de assessoria econômica da Casa Branca entre 1997 e 1999, acumulando uma trajetória de praticamente três décadas nos principais postos da política econômica dos EUA.
Como secretária do Tesouro, ela ajudou a conduzir a recuperação pós-pandemia sob o governo Joe Biden e defendeu o conceito de “economia moderna do lado da oferta”, voltado a estimular crescimento e produtividade de forma inclusiva.
Coube a ela também administrar momentos de tensão, como a elaboração de sanções à Rússia após a invasão da Ucrânia e a tentativa de estabilizar a relação econômica entre Estados Unidos e China.
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“Há muito com o que se preocupar”, diz Yellen, sobre a dívida americana
No discurso mais recente que tem repercutido entre investidores, proferido no Amundi World Investment Forum, Yellen colocou o dedo na ferida fiscal americana.
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Ela afirmou estar “particularmente preocupada com os riscos de estabilidade financeira causados pela dívida soberana”, destacando que os Estados Unidos rodam com déficits da ordem de 6% do PIB — os maiores fora de período de guerra ou recessão.
A economista explicou que, durante os anos de juros próximos de zero, uma relação dívida/PIB em torno de 90% a 95% não preocupava tanto, porque o custo do serviço da dívida era baixo.
“Embora 90% ou 95% seja uma alta relação dívida/PIB, a carga dos juros é muito baixa e isso não é tão preocupante”, disse ela.
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O cenário mudou: com juros mais altos no pós-pandemia, “agora acho que há muito com o que se preocupar”, completou.
Segundo Yellen, o gasto americano com juros da dívida já superou o total destinado à defesa — e reduzir o déficit “não pode ser feito de forma indolor”, o que o torna impopular para qualquer partido no poder.
Tarifas, choque do petróleo e o corte de juros que ainda resiste
Em entrevista à Bloomberg durante o HSBC Global Investment Summit, em Hong Kong, em 15 de abril, Yellen disse ver “um corte de juros possível ainda este ano” pelo Fed, mesmo com o choque de oferta provocado pela guerra no Irã pressionando a inflação global.
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Ela descreveu o episódio como “um choque de oferta amplo”, que se espalha dos preços dos combustíveis ao GNL, fertilizantes, alimentos, frete e semicondutores.
Já em declarações à Reuters, a economista havia chamado atenção para o impacto direto das tarifas comerciais impostas pelo governo Trump.
Segundo ela, tais tarifas já adicionaram cerca de meio ponto percentual à inflação americana, hoje rodando perto de 3% — um ponto acima da meta de 2% do Fed.
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Para Yellen, esse cenário de choques sucessivos torna o banco central “mais reticente” a cortar juros do que estaria em condições normais.
Defesa da independência do Fed e expectativa no Brasil
Yellen também tem se posicionado publicamente sobre as tentativas da Casa Branca de interferir no Fed.
Ela e os demais ex-presidentes vivos do Fed, Alan Greenspan e Ben Bernanke, assinaram um memorial de amicus curiae à Suprema Corte dos EUA contra a tentativa de remoção da diretora Lisa Cook.
O grupo alertou que afastar uma integrante do conselho durante um litígio em curso “ameaçaria essa independência e enfraqueceria a confiança pública no Fed”.
Em entrevista à Bloomberg, ela já havia descrito a tentativa de demitir Cook como “praticamente impensável” e afirmado nunca ter visto ameaça tão grave à instituição partindo da própria Casa Branca.
É essa Yellen — atenta aos juros, crítica do desequilíbrio fiscal e vigilante quanto à autonomia dos bancos centrais — que o público brasileiro deve encontrar na Expert XP 2026.
No evento, ela discutirá temas como a condução da política monetária em meio a tensões geopolíticas, a revolução da inteligência artificial, os estímulos fiscais, a relação entre EUA e China e o papel dos criptoativos.
A edição deste ano, que celebra os 25 anos da XP Inc., promete reunir público recorde no São Paulo Expo, com ingressos à venda no site oficial do evento.
Serviço
Evento: Expert XP 2026
Data: 23 e 25 de julho de 2026
Local: São Paulo Expo – São Paulo/SP
Pré-venda: disponível no site oficial: www.expertxp.com.br