STF mantém anulação de condenação de Garotinho e rejeita recurso da PGR

Segunda Turma confirma decisão de Cristiano Zanin que invalidou sentença da Operação Chequinho por considerar ilícitas as provas utilizadas no processo

Marina Verenicz

Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) foi deputado federal, governador do Rio de Janeiro e candidato a presidente (Foto: Agência Brasil)
Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) foi deputado federal, governador do Rio de Janeiro e candidato a presidente (Foto: Agência Brasil)

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O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão que anulou uma das condenações do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) relacionadas à Operação Chequinho.

A Segunda Turma rejeitou um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o entendimento do ministro Cristiano Zanin, que havia invalidado a sentença em março deste ano.

A condenação estava ligada às investigações sobre o programa social Cheque Cidadão, em Campos dos Goytacazes. O Ministério Público acusava integrantes do grupo político dos Garotinho de utilizar a expansão do benefício para obter apoio eleitoral nas eleições municipais de 2016.

No julgamento mais recente, prevaleceu o entendimento de que as provas que sustentaram a condenação não atendiam aos requisitos necessários para garantir sua autenticidade.

Ao anular a condenação, Zanin apontou falhas na preservação do material que deu origem à investigação.

Segundo o ministro, os dados extraídos de um computador da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes não tiveram a cadeia de custódia adequadamente preservada. Na avaliação do magistrado, a ausência de perícia sobre o ambiente original impedia a verificação da integridade das informações posteriormente armazenadas em um pendrive.

Por essa razão, o ministro concluiu que os elementos utilizados no processo tinham origem ilícita e não poderiam sustentar a condenação.

Divergência com decisão anterior

Em 2022, a Segunda Turma reconheceu problemas semelhantes em provas utilizadas em outros processos da Operação Chequinho, mas entendeu que a situação de Garotinho era diferente porque ele também respondia a acusações em ações penais distintas.

Zanin, porém, adotou interpretação diversa. Para o ministro, o fato de os investigados terem sido julgados em processos separados não impediria a extensão da mesma nulidade processual reconhecida em outros casos derivados da operação.

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A maioria da Segunda Turma, contudo, acompanhou o entendimento de Zanin e rejeitou os argumentos da PGR. O único voto divergente foi o do ministro Luiz Fux.

Com isso, permanece válida a anulação da condenação relacionada à Operação Chequinho.

A decisão ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026. Garotinho é apontado como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro e tem retomado sua atuação política nos últimos meses.

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