Os cinco desafios de Flávio para voltar a crescer nas pesquisas, segundo analista

Após o desgaste provocado pelo caso Master, senador precisa reduzir rejeição, apresentar propostas e voltar a disputar o eleitorado de centro para manter competitividade em 2026

Marina Verenicz

Publicidade

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10) apontou que a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em cenário de eventual segundo turno com Flávio Bolsonaro, que era de apenas um ponto na rodada de abril, chegou a seis pontos.

Se até poucos meses atrás a principal missão da campanha era consolidar a transferência de votos de Jair Bolsonaro, agora o desafio passou a ser recuperar eleitores que se afastaram da candidatura e reconstruir pontes com segmentos mais moderados do eleitorado.

A avaliação é do cientista político Leopoldo Vieira, CEO da Idealpolitik, durante sua participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney desta sexta-feira (12). Para ele, o desgaste recente do senador nas pesquisas atingiu justamente uma parcela decisiva da disputa presidencial, os eleitores independentes, que não fazem parte do núcleo duro do petismo nem do bolsonarismo.

Para o analista, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro continua sendo o principal nome da direita na disputa contra Lula, mas precisará fazer ajustes importantes na campanha para voltar a crescer.

Modo defensivo

    O primeiro passo, segundo o analista, é impedir que o debate eleitoral continue girando em torno do Banco Master.

    Para Leopoldo, uma candidatura presidencial não consegue sustentar competitividade durante muito tempo quando está permanentemente reagindo a uma crise. Por isso, a tendência é que a campanha tente recolocar temas mais amplos no centro da discussão, especialmente economia, saúde, segurança pública e custo de vida.

    A estratégia já começou a aparecer nas últimas semanas, quando Flávio passou a concentrar suas declarações em propostas para o país e menos nas respostas ao caso Vorcaro.

    “Uma candidatura presidencial não consegue sobreviver muito tempo discutindo apenas uma crise. Ela precisa voltar a apresentar agenda, voltar a discutir problemas concretos do país e construir uma narrativa sobre futuro.”

    Reconquistar o eleitor

      Para Leopoldo, o principal prejuízo da candidatura não ocorreu entre bolsonaristas tradicionais, o que deixa o senador em um cenário pouco mais confortável.

      Continua depois da publicidade

      “A desidratação mais importante não aconteceu na base. Ela aconteceu naquele eleitor que não é petista, mas também não é bolsonarista de carteirinha”, observou durante o programa. É justamente esse grupo que costuma definir eleições apertadas.

      Segundo o cientista político, a candidatura cresceu inicialmente impulsionada pela polarização e pela transferência de apoio de Jair Bolsonaro. Mas a vitória exige algo além da fidelidade da base. Ela depende da capacidade de convencer eleitores que ainda não possuem vínculo emocional com a candidatura.

      Conter a rejeição

        Outro ponto destacado por Leopoldo é que a prioridade da campanha talvez não seja aumentar imediatamente as intenções de voto. Antes disso, será necessário interromper a deterioração da imagem do senador.

        Continua depois da publicidade

        “A prioridade hoje não é ganhar novos eleitores. É impedir que a rejeição continue crescendo.”

        A lógica é semelhante à observada em campanhas que enfrentam crises, em que se faz necessário primeiro estabilizar o cenário, depois voltar a expandir apoio. Isso explica por que integrantes do entorno de Flávio têm demonstrado preocupação crescente com indicadores de rejeição.

        Mais do que a distância para Lula, o que preocupa estrategistas é a possibilidade de a imagem negativa se consolidar junto aos eleitores moderados.

        Continua depois da publicidade

        Equilibrar Bolsonaro e o centro

          Talvez o maior desafio da campanha, para o analista, esteja justamente na convivência entre duas necessidades aparentemente contraditórias.

          De um lado, Flávio precisa manter mobilizada a base bolsonarista que o transformou no principal candidato da direita. De outro, precisa ampliar seu alcance junto a setores que rejeitam discursos mais radicalizados.

          “Você precisa, ao mesmo tempo, mobilizar uma base mais ideológica e agregar um percentual decisivo de votos em um eleitorado que rejeita exatamente esse tipo de sinalização”, afirmou Leopoldo.

          Continua depois da publicidade

          A estratégia, no entanto, não é simples. Um movimento excessivo em direção ao centro pode desagradar a militância. Já um reforço da identidade bolsonarista pode dificultar a conquista de novos eleitores.

          Capacidade de governar

            Se a primeira fase da campanha foi marcada pela consolidação da candidatura dentro da direita, a próxima tende a ser dominada pela capacidade de governar.

            Segundo o analista, Flávio precisará apresentar respostas para temas como reforma tributária, contas públicas, crescimento econômico, segurança e funcionamento do Estado. O desafio é particularmente relevante porque a eleição de 2026 acontece em um ambiente diferente daquele de 2018, quando Jair Bolsonaro conseguiu levar a campanha à vitória sem plano de governo concreto.

            Hoje, o Congresso possui mais poder sobre o Orçamento, as discussões fiscais ganharam centralidade e o mercado acompanha com atenção os planos econômicos dos candidatos. Nesse contexto, não basta apenas representar a oposição ao governo Lula.

            Para o analista, é necessário convencer o eleitor de que existe um projeto viável para administrar o país.