Violência encarece produção e já afeta 8 em cada 10 indústrias, aponta CNI

Custos com transporte, proteção patrimonial e crimes cibernéticos pressionam empresas e ampliam o chamado Custo Brasil

Marina Verenicz

Divulgação: Pedro Tesch
Divulgação: Pedro Tesch

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A insegurança pública deixou de ser apenas um problema operacional para se tornar um fator de custo para a indústria brasileira. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 81% dos empresários do setor avaliam que a violência contribui diretamente para o aumento do chamado Custo Brasil.

Quase dois terços das empresas consultadas afirmam que os gastos com segurança no transporte elevam o preço final dos produtos. Além disso, 45% relatam que investimentos em vigilância, monitoramento e proteção patrimonial também acabam sendo repassados aos custos de produção.

Entre os problemas mais citados pelos empresários está a segurança das operações logísticas. Segundo a pesquisa, 20% das indústrias já foram vítimas de roubo ou furto de cargas rodoviárias. Em mais de dois terços desses casos, os crimes ocorreram diretamente nas rodovias.

A percepção do setor é que a insegurança afeta não apenas os custos imediatos das empresas, mas também compromete a eficiência da cadeia de abastecimento e a previsibilidade das entregas.

Diante desse cenário, 53% dos entrevistados defendem como prioridade o reforço do policiamento em rodovias e rotas de transporte de mercadorias.

Competitividade e mercado ilegal

Para 32% dos empresários, a insegurança gera impactos elevados sobre a competitividade das empresas brasileiras. Já 53% afirmam que a criminalidade fortalece a circulação de produtos roubados, falsificados ou comercializados no mercado informal.

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A pesquisa mostra que a preocupação com segurança não está restrita ao mundo físico. Uma em cada seis indústrias relatou ter sofrido algum incidente cibernético nos últimos cinco anos, incluindo vazamento de informações, invasões de sistemas ou ataques de ransomware, modalidade em que criminosos sequestram dados e exigem pagamento para sua liberação.

Entre as empresas atingidas, 30% registraram perdas financeiras associadas a fraudes ou pagamentos relacionados aos ataques.

Como resposta, 75% das indústrias afirmam realizar backups periódicos de seus dados. Outras 67% investem em softwares de proteção digital e 45% adotam políticas reforçadas de controle de acesso e gerenciamento de senhas.

Para a CNI, os resultados indicam que a insegurança se consolidou como mais um componente estrutural do Custo Brasil.

“Esse levantamento revela que os reflexos da insegurança são mais um elemento que contribui para o Custo Brasil, já que aumenta os custos, exigindo medidas relacionadas à infraestrutura e logística, além de afetar os dados sensíveis das empresas”, afirmou Cassio Borges, assessor especial da presidência da entidade.

O levantamento foi realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados entre março e abril deste ano. Foram entrevistados executivos de 1.003 empresas industriais de pequeno, médio e grande portes em todas as regiões do país.

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