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Ibovespa fecha em queda e perde os 170 mil pontos após dados de emprego nos EUA

Índice de referência do mercado acionário brasileiro completou oito semanas de baixa pela primeira vez

Erick Souza Agências de notícias

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O Ibovespa fechou abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro nesta sexta-feira (05), após dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano elevarem as apostas de uma alta dos juros nos Estados Unidos neste ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,77%, recuando a 169.019,12 pontos, chegando a 168.909,87 pontos na mínima e marcando 170.457,37 pontos na máxima do dia.

A piora ganhou força durante a tarde, acompanhando uma forte onda de vendas em Wall Street, onde o Nasdaq chegou a cair mais de 4%, pressionado principalmente pelas ações dos setores de semicondutores e inteligência artificial.

O volume financeiro nesta sexta-feira, entrecortada pelo feriado de Corpus Christi na quinta- feira e o fim de semana, somava R$23,6 bilhões antes dos ajustes finais.

Gatilhos ao longo do dia

Os rendimentos dos Treasuries avançaram ao longo do dia e o mercado passou a ampliar as apostas em uma nova alta de juros nos Estados Unidos ainda este ano. O movimento foi reforçado pelas declarações da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, que voltou a destacar a inflação como principal preocupação da autoridade monetária. Segundo ela, embora seja razoável manter os juros estáveis neste momento, “se as tendências continuarem, pode ser apropriado agir em breve”.

Na contramão da leitura predominante entre os investidores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o resultado do payroll e voltou a defender juros mais baixos, argumentando que crescimento econômico não necessariamente gera inflação.

No mercado doméstico, Vale e Petrobras tiveram papel importante na piora do índice. A mineradora ampliou as perdas em meio à queda do minério de ferro em Dalian, enquanto a Petrobras acompanhou o recuo do petróleo.

Durante a tarde, investidores também monitoraram novas declarações vindas do Irã. O conselheiro militar do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, ameaçou expandir o conflito para novas frentes, incluindo o Oceano Índico e o Estreito de Bab al-Mandab, caso não haja avanço nas negociações com os Estados Unidos.

Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, embora o payroll tenha sido o principal gatilho do pregão, o mercado passou a incorporar também um componente maior de risco geopolítico ao longo da tarde.

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Segundo ele, as declarações do Irã sobre uma possível escalada do conflito caso não haja acordo de paz contribuíram para aumentar a cautela dos investidores. “A primeira notícia que fez com que o mercado começasse a cair foi o payroll, mas ao longo do dia houve uma declaração do Irã de que pode voltar a escalar a guerra caso um acordo de paz não seja alcançado”, afirma.

Declínio histórico

Na semana, acumulou um declínio de 2,62%, completando oito perdas semanais seguidas, a maior sequência na série histórica até 1982, conforme dados da LSEG. Com esse resultado, o índice da bolsa supera a sequência negativa registrada em 2004, quando acumulou sete semanas seguidas de perdas.

Em abril, o índice renovou sua máxima histórica intradiária aos 199.354 pontos, aproximando-se pela primeira vez da simbólica marca dos 200 mil pontos. À época, o Ibovespa acumulava valorização superior a 23% em 2026.

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