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Dólar ultrapassa R$ 5,15 após dados de emprego nos EUA muito acima do esperado

Resultado reduz ainda mais as chances de um aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

Felipe Moreira

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O dólar fechou com forte alta nesta sexta-feira (5) acima dos R$5,15, após a divulgação de dados de emprego nos EUA (payroll) de maio. O número de empregos criados nos EUA aumentou em 172 mil em maio, acima dos 85 mil esperados pelo consenso de mercado.

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A moeda americana acumula ganhos de 2,27% frente ao real na primeira semana de junho, após avanço de 1,82% em maio. No ano, as perdas, que chegaram a superar 10% quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90 no início de maio, agora são de 6,04%. Embora tenha sofrido mais do que pares hoje, o real ainda apresenta, em 2026, um dos três melhores desempenhos entre as divisas mais líquidas, tanto de países desenvolvidos quanto emergentes.

O resultado forte reduz ainda mais as chances de um aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Segundo a ferramenta FedWatch da CME, os investidores esperam amplamente que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas em sua reunião deste mês.

“O ambiente de dólar mais forte está começando a se mostrar um obstáculo para o carry trade com o real”, afirma, em nota, o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, ressaltando que o panorama doméstico, com a melhora da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também pesa sobre a moeda brasileira.

Turner pondera que, se não houver uma disparada das taxas dos Treasuries e da moeda americana, o real tende a encontrar “um bom suporte”, uma vez que os juros locais ainda são elevados e o país mantém o status de exportador líquido de petróleo.

Qual foi a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou esta sexta-feira (05) com alta de 1,76%, aos R$5,155 na venda. O dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – subia 1,96% na B3, aos R$5,191.

Dólar comercial

Movimentação ao longo do dia

Sem indicadores de peso na agenda doméstica ou novidades no front político, o dólar até ensaiou uma baixa na abertura, com a retomada dos negócios no mercado local, que estiveram fechados ontem em razão do Dia de Corpus Christi. O desempenho teve um revés a partir das 9h30, na esteira da divulgação do relatório de emprego (payroll) de maio.

O economista Paulo Gala, professor da FGV-SP, ressalta que os números do payroll tiveram impacto imediato no mercado local, levando o dólar para R$ 5,15, em um movimento que acentua a deterioração observada na última quarta-feira, “quando houve desmonte de posições em ativos brasileiros, com os juros longos disparando”.

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“Com a inflação já acima de 3% em apenas quatro meses e expectativas para o ano acima de 5%, o Banco Central brasileiro vê seu espaço para cortar a Selic encolher, ainda mais diante de um dólar pressionado e de uma economia americana que, apesar dos sinais mistos, continua de pé”, afirma Gala, em relatório.

O que acontece com dólar?

As negociações de paz entre os EUA e o Irã estão em um impasse, e a retomada das hostilidades nesta semana manteve o preço do petróleo acima de US$ 90 o barril, aumentando os riscos para o crescimento global.

O Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano na quinta-feira, e Israel afirmou que não retirará suas tropas do país, minando os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper os combates ali e alcançar um acordo de paz com Teerã.

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Enquanto isso, uma liquidação impulsionada pela IA após a fabricante de chips Broadcom divulgar resultados decepcionantes na quarta-feira continuava pelo segundo dia, à medida que investidores realizaram lucros após uma recente e intensa alta.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)