Mario Frias pagou R$ 154 mil a empresa citada em investigação envolvendo “Dark Horse”

Investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos com a prefeitura de São Paulo e possível repasse à produtora de filme sobre Jair Bolsonaro

Caio César

O deputado federal Mario Frias (PL-SP). Foto: Agência Câmara
O deputado federal Mario Frias (PL-SP). Foto: Agência Câmara

Publicidade

O gabinete do deputado federal Mario Frias (PL-SP) destinou cerca de R$ 154 mil para a Complexysys Soluções Integradas Ltda., uma empresa citada na investigação da Polícia Civil que apura suspeitas de irregularidades em contratos com a Prefeitura de São Paulo. A informação foi apurada pelo G1 com base em dados da Câmara dos Deputados.

Um dos principais contratos na mira da Polícia Civil é com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, que também é sócia da produtora Go UP, responsável por produzir o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro.

Segundo a apuração do portal, o ICB possui um contrato de R$ 108 milhões com a gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da periferia paulistana. A suspeita é de que parte dos recursos destinados ao projeto público tenha sido desviada para financiar a produção cinematográfica.

Antes da contratação da Complexysys para instalar os pontos de Wi-Fi, o mesmo serviço era prestado pela GTrend, empresa de Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina.

Dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados mostram que a Complexysys recebeu recursos do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. Entre abril de 2023 e agosto de 2024, a GTrend recebeu R$ 115,6 mil do deputado.

Ao G1, a Complexysys afirmou que os pagamentos feitos pelo gabinete são decorrentes da prestação de serviços de licenciamento de tecnologia para disponibilizar o sistema CRM Político, em pagamentos mensais de R$ 7.700.

Continua depois da publicidade

Em nota também enviada ao veículo, Wemerson afirmou acreditar que sua empresa foi contratada anteriormente em razão de sua ligação familiar com Karina. O proprietário da GTrend também afirmou ter entrado na contratação de boa-fé e entregado os serviços previstos no contrato.

Sem histórico e superfaturamento

A investigação sobre o ICB aponta que o instituto vencedor da contratação da Complexysys venceu um chamamento público mesmo sem histórico conhecido na área de telecomunicações. Segundo a polícia, a atuação anterior da entidade estaria concentrada em atividades ligadas à realização de feiras literárias e eventos religiosos, sem experiência comprovada em projetos de infraestrutura de internet.

Outro ponto analisado envolve os custos do contrato. A investigação sustenta que os valores pagos pela administração municipal superavam de forma significativa referências utilizadas por órgãos públicos para serviços semelhantes.

Enquanto a empresa municipal Prodam cobraria cerca de R$ 306 por mês para a manutenção de cada ponto, o acordo firmado com o instituto previa pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto instalado.

A execução do projeto também está sob questionamento. O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet, mas, segundo a investigação, apenas 3,2 mil teriam sido entregues. Mesmo assim, a polícia afirma ter identificado a celebração de aditivos contratuais em curto intervalo de tempo para prorrogar prazos e ajustar a execução do projeto.

Os investigadores apuram se esses instrumentos foram utilizados para encobrir atrasos ou descumprimentos das obrigações assumidas pela entidade.

Continua depois da publicidade

Outro eixo da operação envolve os desembolsos realizados pela administração municipal. A Polícia Civil aponta indícios de antecipação de aproximadamente R$ 26 milhões sem que houvesse comprovação da entrega integral dos serviços contratados.

Segundo os investigadores, documentos analisados indicam que repasses teriam sido feitos considerando milhares de pontos em funcionamento quando apenas uma quantidade reduzida estaria efetivamente operando naquele período.