Como a renovação das tarifas de importação pode impactar o setor de aço no Brasil

Gecex decidiu renovar o atual sistema de tarifa-cota para importações de aço, descartando a proposta mais rígida de elevar tarifas de 21 NCMs para 35%

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Linha de produção em uma planta de laminação a quente. REUTERS/Aly Song
Linha de produção em uma planta de laminação a quente. REUTERS/Aly Song

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O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu renovar o atual sistema de tarifa-cota para importações de aço, descartando a proposta mais rígida de elevar tarifas de 21 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) para 35%. O modelo mantém tarifas de 10,8% e 12% dentro das cotas e 25% fora delas, mas reduz os volumes permitidos em algumas linhas de produtos.

A decisão ocorre após anos de forte alta das importações, que pressionaram as margens das siderúrgicas brasileiras ao reduzir seu poder de precificação. Desde 2024, o governo vem endurecendo gradualmente as barreiras comerciais, ampliando o alcance do sistema de cotas e implementando medidas antidumping contra produtos chineses.

Segundo o Bradesco BBI, a revisão torna o sistema mais eficiente, embora menos agressivo do que a tarifa linear de 35% discutida anteriormente. Ainda assim, o BBI não espera mudança material para as perspectivas do setor e segue projetando queda relevante das importações de aço no Brasil nos próximos meses, impulsionada pelo endurecimento das barreiras comerciais e pelos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio.

Já o Goldman Sachs avalia que os preços do aço no Brasil seguem em alta, impulsionados pelo aumento de custos e pelo endurecimento de medidas antidumping e barreiras comerciais, que reduziram a concorrência de importados asiáticos. Apesar da demanda ainda fraca e das incertezas macroeconômicas, o banco destaca que mesmo altas moderadas de preços podem gerar forte impacto nos lucros das siderúrgicas devido à elevada alavancagem operacional do setor.

O banco estima potencial adicional de alta de preços entre 5% e 10% e afirma que cada aumento de 1% nos preços realizados pode elevar o EBITDA (lucro antes de juros, impostos,depreciação e amortização) da CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) entre 2% e 8%.

O Goldman elevou recentemente a recomendação da Usiminas para compra, por enxergar maior exposição ao mercado brasileiro de aço e valuation atrativo, e manteve recomendação de compra para a Gerdau. Já para a CSN, o banco pondera que os ganhos com aço não eliminam as pressões sobre balanço e liquidez.

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