Minerva (BEEF3): possível OPA faz sentido, mas há um obstáculo bilionário no caminho

Controladores da Minerva estariam avaliando o fechamento de capital do frigorífico

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Pedaços de carne em açougue no Rio de Janeiro
26/11/2024 REUTERS/Ricardo Moraes
Pedaços de carne em açougue no Rio de Janeiro 26/11/2024 REUTERS/Ricardo Moraes

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Em meio à derrocada das ações na Bolsa, com queda acumulada de 26% em 2026, os controladores da Minerva (BEEF3) estariam avaliando o fechamento de capital do frigorífico, segundo reportagem de Rennan Setti, do jornal O Globo.

A operação envolveria a compra de mais de 45% das ações em circulação no mercado, com custo estimado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,3 bilhões. De acordo com a reportagem, a oferta poderia incluir um prêmio de cerca de 30% sobre a cotação atual dos papéis, seria financiada por dívida e teria prazo estimado de conclusão entre quatro e seis meses. Ainda segundo o jornal, não há garantia de que a operação avance.

Na avaliação da Genial Investimentos, a tese dos controladores tem fundamento, mas os juros altos podem tornar a operação proibitiva.

A corretora destaca que a Minerva negocia com desconto expressivo em relação ao preço-alvo médio do mercado, cerca de 59% abaixo, e argumenta que o mercado ainda não precifica integralmente as potenciais sinergias da aquisição dos ativos da Marfrig na América do Sul. Para os analistas, o movimento teria características clássicas de um management buyout, no qual os controladores aproveitam um momento de baixa avaliação para recomprar a empresa.

A Genial também aponta que o fechamento de capital poderia reduzir os custos e a pressão de curto prazo típicos de empresas listadas, permitindo uma integração mais longa e menos exposta ao escrutínio do mercado. Além disso, mesmo com um prêmio estimado de 30%, o preço potencial da oferta ainda ficaria abaixo dos níveis em que as ações negociavam há menos de um ano.

Não é questão do preço da ação, mas do custo da dívida

A Genial Investimentos avalia que o principal risco para não concretização do fechamento de capital da Minerva não está no preço da ação, mas no custo do financiamento da operação. A corretora destaca que a companhia ainda opera com alavancagem elevada, de 2,7 vezes o EBITDA no 1T26, enquanto enfrenta pressão sobre margens devido à alta do preço do boi gordo no Brasil.

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Segundo os analistas, a necessidade de captar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,3 bilhões em novas dívidas, em um cenário de juros elevados e maior prêmio de risco nos bonds da companhia, poderia agravar a percepção negativa do mercado sobre geração de caixa e endividamento.

A Genial pondera, porém, que a participação da SALIC poderia mudar a equação financeira da operação. Como a companhia saudita possui perfil soberano e foco estratégico em segurança alimentar, seu custo de capital tende a ser mais baixo. Caso a SALIC participe da eventual oferta como investidora em equity, e não apenas via aumento de dívida da Minerva, o principal obstáculo financeiro da operação poderia ser reduzido.

Caminhos para fechamento de capital

Para que a operação faça sentido financeiro e se torne provável, “acreditamos que a Minerva precisaria cumprir dois pré-requisitos: (i) reduzir a alavancagem para 2,0 vezes, o que era esperado para o 3T26 mas deve atrasar dado o ambiente de custo do boi gordo; e (ii) enxergar clareza no ciclo pecuário, que ainda não se confirmou”, avalia Genial.

A corretora ainda cita um caminho intermediário com a recompra gradual de ações ao longo de 12 meses para reduzir o free float de 45% para algo em torno de 25 a 30%, o que baratearia uma eventual OPA futura sem comprometer o balanço de uma vez, além de sinalizar confiança dos controladores sem o custo do fechamento total.