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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas rapidamente migrou da área de segurança pública para o centro da disputa presidencial brasileira.
Horas após o anúncio feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, pré-candidatos ao Palácio do Planalto passaram a utilizar a medida para reforçar discursos ligados ao combate ao crime organizado e para marcar diferenças em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O movimento foi liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que procurou associar a decisão diretamente à viagem que realizou nesta semana a Washington. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que Rubio atendeu a um pedido feito por ele e pelo presidente Donald Trump para que as duas maiores facções criminosas do país fossem enquadradas como organizações terroristas.
Em vídeo, o senador aparece com uma camisa da seleção brasileira e afirma que, em viagem aos Estados Unidos, “fez mais pelo Brasil” do que o PT “em anos de mandato”. Flávio também voltou a criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o Brasil perdeu soberania em áreas dominadas pelo crime organizado.
Segurança vira tema de campanha
O anúncio americano passa a oferecer um novo elemento para a disputa eleitoral em um momento em que os pré-candidatos buscam consolidar narrativas para a reta inicial da campanha.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) utilizou a medida para ampliar críticas ao governo federal. Em manifestação pública, afirmou que a decisão dos Estados Unidos representaria uma diferença de postura entre governos que priorizam o enfrentamento ao crime organizado e aqueles que, segundo ele, seriam mais lenientes com o problema.
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“Os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Lula os classifica como vítimas. Essa é a diferença entre um governo que protege o povo e um governo que protege o crime. Chega de PT. Chega de narcotráfico.”
Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também procurou capitalizar politicamente o anúncio. Em vídeo, o mineiro disse: “O PT diz que tratar facção como terrorismo ameaça a soberania do Brasil. Que isso facilita uma intervenção americana no Brasil. […] Nossa soberania não está ameaçada. Ela foi roubada e o Lula nunca fez nada a respeito”.
Segundo Zema, o debate sobre soberania nacional não deveria impedir medidas mais duras contra organizações criminosas.
Decisão entra no debate eleitoral
A medida anunciada por Rubio transforma PCC e Comando Vermelho em alvos da legislação antiterrorismo americana a partir de 5 de junho. Na prática, o enquadramento amplia instrumentos de sanção financeira e de investigação contra pessoas, empresas ou entidades que mantenham relações com os grupos criminosos.
Embora a discussão tenha origem em uma decisão de política externa dos Estados Unidos, a repercussão imediata entre os presidenciáveis mostra que o tema tende a ganhar espaço na campanha de 2026.
Com segurança pública figurando entre as principais preocupações do eleitorado, a classificação das facções passou a ser usada pelos pré-candidatos como símbolo de diferentes visões sobre combate ao crime organizado, cooperação internacional e atuação do Estado diante do avanço das organizações criminosas.
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