Goldman: eleições em países-chave para minério e cobre elevam riscos para mineradoras

Banco destaca que, após a conclusão de projetos de mineração, as companhias ficam expostas às mudanças regulatórias e políticas dos países onde operam

Felipe Moreira

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Terras raras no Laboratório de Física e Estudos de Materiais em Paris
23 de junho de 2025
REUTERS/Benoit Tessier
Terras raras no Laboratório de Física e Estudos de Materiais em Paris 23 de junho de 2025 REUTERS/Benoit Tessier

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Com as eleições se aproximando em países responsáveis por 25% a 30% da oferta global de minério de ferro e cobre, o Goldman Sachs avalia que temas como minerais críticos, licenciamento ambiental, impostos e políticas energéticas devem ganhar ainda mais peso para mineradoras e mercados de commodities em 2026.

O banco destaca que, após a conclusão de projetos de mineração, as companhias ficam expostas às mudanças regulatórias e políticas dos países onde operam, tornando o cenário geopolítico um fator cada vez mais relevante para mineradoras e mercados de commodities.

O Goldman destaca que o conflito entre EUA e Irã aumentou as incertezas para mineradoras e mercados de commodities, pressionando custos de energia e preocupações com segurança de suprimentos. Nesse contexto, investidores devem acompanhar de perto as eleições no Peru, Zâmbia, Suécia, Brasil e Estados Unidos.

Brasil

No Brasil, responsável por cerca de 24% da oferta global marítima de minério de ferro, as pesquisas indicam disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. De acordo com o relatório, um escândalo político recente envolvendo o principal nome da oposição tende a dar ligeira vantagem a Lula. Ainda assim, os dois líderes apresentam elevados índices de rejeição, entre 45% e 55%, em um eleitorado fortemente polarizado.

Para Goldman Sachs, um novo governo Lula poderia significar maior pressão fiscal e potencial elevação de impostos, além de uma abordagem mais multilateral para política comercial e apoio mais seletivo a minerais críticos. Já uma vitória de Bolsonaro tenderia a aliviar restrições ambientais e fiscais para o setor.

Entre as empresas mais expostas ao Brasil estão Vale (VALE3), que gera cerca de 90% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) estimado para 2026 no país, e CSN Mineração (CMIN3), produtora focada em minério de ferro brasileiro. No setor siderúrgico, o relatório destaca ArcelorMittal e Aperam.

O que monitorar?

O banco recomenda os investidores acompanharem os moviementos relacionados aos minerais críticos e licenciamento ambiental.

A Política Nacional de Minerais Críticos do governo Lula prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais e a criação do Fundo Garantidor de Atividades Minerárias (FGAM) para reduzir riscos de investimentos em exploração mineral. Ao mesmo tempo, propostas para restringir exportações de terras raras não processadas e ampliar o escrutínio sobre aquisições estrangeiras de minerais estratégicos indicam postura mais intervencionista.

A USA Rare Earth anunciou em abril de 2026 a compra da mina Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. Segundo o Goldman, um eventual governo Bolsonaro tenderia a adotar postura mais favorável ao mercado, embora o nacionalismo sobre recursos naturais possa surgir sob qualquer governo diante das pressões fiscais. O banco também avalia que reformas para acelerar licenciamentos ambientais seriam mais prováveis sob um governo de oposição do que em um quarto mandato de Lula.

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Royalties do minério de ferro e pressão fiscal

A CFEM, royalty da mineração no Brasil, está atualmente em 3,5% sobre a receita líquida do minério de ferro e permanece estável desde a reforma de 2017. Ainda assim, o relatório aponta que tanto Lula quanto Bolsonaro enfrentariam restrições fiscais relevantes, mantendo no radar discussões sobre eventual revisão dos royalties para ampliar arrecadação. Segundo o Goldman, mudanças na CFEM afetariam diretamente Vale, CSN Mineração e os ativos Minas-Rio, da Anglo American.

Alinhamento geopolítico e política comercial

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O Goldman Sachs destaca que as reservas brasileiras de minerais críticos vêm atraindo interesse de EUA, União Europeia e China. Segundo o banco, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar o Brasil dos EUA, enquanto a continuidade de Luiz Inácio Lula da Silva tenderia a manter uma estratégia mais multilateral. O relatório também alerta que possíveis restrições às exportações de minerais não processados poderiam impactar as cadeias globais de nióbio e terras raras.

Peru

No Peru, responsável por cerca de 12% da oferta global de cobre, Keiko Fujimori lidera as pesquisas e defende políticas mais favoráveis ao mercado, embora propostas no Congresso para reduzir o prazo de concessões minerais possam diminuir a atratividade de investimentos de longo prazo. O cenário pode afetar mineradoras como Southern Copper, Freeport-McMoRan, Anglo American, Glencore, Nexa Resources e Hochschild Mining.

Zâmbia

Na Zâmbia, a continuidade das políticas do presidente Hakainde Hichilema, caso seja reeleito, seria positiva para investimentos no setor e redução da percepção de risco para mineradoras como First Quantum Minerals.

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Suécia

Na Suécia, o foco estará em reformas de licenciamento, descarbonização da indústria siderúrgica e segurança energética.

EUA

Já nos Estados Unidos, as eleições legislativas de meio de mandato podem influenciar a política comercial, fiscal e a estratégia para minerais críticos. O Goldman Sachs avalia que a continuidade de políticas fiscais expansionistas nos EUA segue favorável para os preços do ouro no longo prazo.

Entre as principais empresas expostas em nossa cobertura estão as siderúrgicas norte-americanas Cleveland-Cliffs, Nucor, Steel Dynamics e Commercial Metals Company, além da siderúrgica brasileira Gerdau e das produtoras da região EMEA Acerinox, Outokumpu e SSAB.

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O relatório também destaca as mineradoras Freeport-McMoRan, MP Materials, Barrick Mining e Alcoa. Entre as produtoras de ouro, a AngloGold Ashanti segue avançando com o projeto em Nevada, que deverá adicionar cerca de 25% de crescimento de volume ao portfólio do grupo no início da década de 2030.