Raízen detalha plano de recuperação extrajudicial: veja as 3 opções para os credores

Raízen informou uma dívida total de R$ 75,35 bilhões, sendo o montante de R$ 65,4 bilhões objeto da recuperação extrajudicial

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Um logotipo da Raizen é visto em São Paulo 20 de agosto de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo
Um logotipo da Raizen é visto em São Paulo 20 de agosto de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo

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Na noite da última quarta-feira (27), a Raízen (RAIZ4) deu detalhes sobre o programa de recuperação extrajudicial, levando a uma queda de 19% das ações na quinta (28), fechando cotadas a apenas R$ 0,34.

No material publicado, chamado de “blowout”, Raízen informa uma dívida total de R$ 75,35 bilhões, sendo o montante de R$ 65,4 bilhões objeto da recuperação extrajudicial.

Os termos da reestruturação projetam aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell a R$ 0,25 por ação no fechamento e uma potencial injeção de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto, controlador da Cosan (CSAN3), além de emissão de ações ordinárias.

Ou seja, até R$ 4 bilhões em equity novo devem entrar na companhia até o fechamento da operação. Conforme destaca a XP Investimentos, este é um sinal de comprometimento dos acionistas com o turnaround (virada) – e também a referência de preço para a conversão de dívida em ações que será oferecida aos credores.

O plano também prevê a cisão em Raízen Energia e Raízen Combustíveis, que seria implementada após o fechamento da operação. Isso depende de acordo entre as partes de um plano para a venda de determinados ativos de geração de energia, ativos não estratégicos e outras usinas da Raízen Energia.

De acordo com analistas do UBS BB uma das novidades é a taxa de conversão de R$0,25 por ação para a injeção de capital e a conversão da dívida, “o que significa que os credores acabarão com cerca de 83% da empresa ao final, equivalente a 72% das ações ordinárias”.

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Concluída a reestruturação, o conselho de administração teria sete membros, sendo quatro indicados pelos credores apoiadores, incluindo o presidente do colegiado, e três indicados pelos acionistas investidores.

Em relatório, a XP detalhou as três alternativas de pagamento do plano de recuperação extrajudicial, com perfis bastante distintos de risco, prazo e exposição ao valor futuro da empresa. Confira abaixo:

1.Opção A – Parte vira ação + parte vira nova dívida

Segundo a XP, esta é a estrutura mais completa do Plano e a única que, combinando equity da holding e uma nova dívida reestruturada, deve preservar tanto a isenção, quanto a moeda, como será explicado abaixo.

– O credor divide o valor a receber em duas partes: 45% vira ações da Raízen (RAIZ4)

– Preço: R$ 0,25 por ação (igual ao aporte dos controladores) e pode ter liquidez via ADRs 55% vira nova dívida Dividida entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia

– Moeda preservada: Credor pode manter em real, dólar ou euro (evita risco cambial)

– Remuneração da nova dívida:
Combustíveis: juros maiores
Energia: juros menores (possível vantagem fiscal)

– Prazo longo: vencimentos entre 2032 e 2035

– Flexibilidade para a empresa: Pode adiar pagamento de juros por até 3 anos (pagando prêmio maior depois)

– Garantias: Ativos da empresa como garantia (plantas, tanques, entre outros)

– Governança: Credores ganham espaço no conselho e nas decisões

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2. Opção B – Nova dívida com grande desconto

– Credor aceita um desconto de 80% (haircut)

– Recebe o restante em uma única dívida longa

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– Vencimento: 2047 (cerca de 21 anos)

– Correção apenas pela Taxa Referencial – sem correção em dólar e euro. A companhia pode pré-pagar opcionalmente pelo valor presente descontado (Selic projetado + 225 pontos-base).

3. Opção C – Pagamento à vista (para pequenos credores)

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– Recebe dinheiro imediatamente

– Valor: até 75% da dívida ou limitado a R$ 9.750, com um limite ​total de R$150 milhões, ⁠ou seja, a um limite correspondente a R$200 milhões em créditos considerados.

– Direcionada a credores de varejo / créditos pequenos. Se a demanda exceder o cap, a alocação é progressiva, começando pelos menores créditos. Saldo não utilizado fica em capital de giro da companhia.

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Próximos passos

Conforme destaca a XP, o Plano ainda precisa ser aprovado por mais da metade dos credores sujeitos à recuperação judicial. As assembleias das dívidas estão acontecendo nas próximas semanas e os termos finais podem sofrer ajustes ao longo do processo.

(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.