Dino usa operação sobre fintechs para pressionar reestruturação da CVM

Ministro do STF citou nova fase da Operação Carbono Oculto ao cobrar reforço na fiscalização do mercado financeiro e atuação de órgãos reguladores

Marina Verenicz

13 de maio de 2026 - Ministro Flávio Dino em sessão plenária do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF
13 de maio de 2026 - Ministro Flávio Dino em sessão plenária do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF

Publicidade

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino vinculou a nova etapa da Operação Carbono Oculto à necessidade de ampliar a capacidade de fiscalização do mercado financeiro brasileiro.

Em despacho assinado nesta quinta-feira (28), o magistrado afirmou que o avanço das investigações reforça a urgência de reestruturação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de outros órgãos de controle. A informação foi confirmada pelo g1.

A manifestação ocorreu após a União apresentar ao STF um plano emergencial voltado ao fortalecimento da atividade fiscalizatória da autarquia responsável por supervisionar o mercado de capitais. Antes de decidir se as medidas propostas pelo governo são suficientes, Dino determinou prazo de cinco dias úteis para manifestação das partes envolvidas no processo.

No despacho, o ministro menciona diretamente a nova fase da Operação Carbono Oculto, batizada de “Fluxo Oculto”, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo.

Segundo Dino, a operação evidencia novamente fragilidades nos sistemas de supervisão financeira e mostra a necessidade de reforço não apenas da CVM, mas também de estruturas ligadas ao Banco Central e ao Coaf.

Plano prevê reforço de pessoal e mutirão

O plano enviado pela União ao Supremo incorporou parte das demandas feitas anteriormente pela própria CVM.

Continua depois da publicidade

Entre as medidas previstas estão a ampliação do quadro de servidores e a criação de uma força-tarefa para reduzir em 20% a fila de processos administrativos da autarquia até dezembro.

O governo, porém, rejeitou um dos pedidos apresentados internamente pela comissão: o pagamento de horas extras com adicional de 50% aos servidores envolvidos no mutirão.

A discussão ocorre em meio à pressão crescente sobre os órgãos reguladores após sucessivas investigações envolvendo fintechs, estruturas financeiras paralelas e suspeitas de lavagem de dinheiro.