“Atingimos a meta”: as mensagens de envolvidos em esquema do Rioprev com Master

Investigação da PF diz que repasses não seguiram critérios técnicos

Agência O Globo

(Foto: Divulgação/Rioprevidência)
(Foto: Divulgação/Rioprevidência)

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A interceptação de diálogos entre alvos da operação da Polícia Federal que investiga o desvio de recursos do Rioprevidência para o Banco Master revelou o interesse de Daniel Vorcaro, dono do banco, no repasse dos recursos e, posteriormente, o temor dos envolvidos com o avanço das investigações.

De acordo com a representação da Polícia Federal apresentada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), as tratativas viabilizaram a captação de bilhões em aportes no Master. Os investigadores destacaram que as decisões não respeitavam critérios técnicos e foram motivados pela relação pessoal entre o banqueiro e autoridades do Rio.

Em uma das mensagens direcionadas a Vorcaro, o investigado Ricardo Siqueira Rodrigues, descrito pela PF como lobista, articulador e principal captador de recursos, celebrou o volume das operações realizadas:

“Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe q vc disponibilizou desde novembro. Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF (letra financeira) nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão.”

Em outro episódio narrado nos autos, o então diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, enviou a cotação de uma instituição financeira concorrente diretamente a um captador do Banco Master. O diálogo, afirma a PF, repassava a mensagem de que “Estão indo pra cima do RJ”. Para a corporação, foi uma tentativa de gerar um alerta no banco de Vorcaro.

A investigação sustenta que a conduta integra um “almanaque de irregularidades” e reforça a suspeita de gestão fraudulenta por parte da autarquia. A Polícia Federal reconstruiu a cronologia do suposto esquema, apontando que a alta cúpula do Rioprevidência foi alterada em um período imediatamente anterior ao início da série de investimentos. Os novos gestores nomeados teriam passado a atuar em “desconformidade” com a política conservadora até então adotada pela entidade.

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Os relatórios mostram que os aportes ocorreram em duas frentes: entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, para contornar entraves regulatórios, foram aportados R$ 2,01 bilhões em fundos estruturados pelo mesmo grupo.