Agenda de Trump não cita Flávio enquanto senador aguarda reunião em Washington

Pré-candidato do PL está nos EUA à espera de encontro com presidente americano em meio à crise envolvendo Daniel Vorcaro

Marina Verenicz

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Grapevine, Texas - 28/03/2026 (Foto:  REUTERS/Callaghan O'Hare)
O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Grapevine, Texas - 28/03/2026 (Foto: REUTERS/Callaghan O'Hare)

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O senador Flávio Bolsonaro chegou a Washington, nesta segunda-feira (25), apostando em uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas as agendas oficiais divulgadas pela Casa Branca nesta terça-feira (26) não trazem qualquer referência ao encontro.

Trump tem compromissos previstos no Salão Oval ao longo do dia, todos fechados à imprensa. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, sequer estará em território americano.

A ausência do nome de Flávio nos compromissos oficiais ampliou a apreensão entre aliados do senador, que desembarcou nos Estados Unidos no domingo (24) e pretende permanecer em Washington até quarta-feira (27).

Nos bastidores da pré-campanha, o encontro com Trump vinha sendo tratado como um gesto estratégico para conter o desgaste político provocado pela repercussão das conversas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Flávio mostrou a aliados um e-mail que teria sido enviado pela Casa Branca convidando o senador para a reunião.

Até o momento, porém, não houve confirmação pública do governo americano sobre a agenda.

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A viagem do senador foi interpretada por integrantes do PL como um sinal de confiança na realização do encontro. Auxiliares afirmam que a interlocução vinha sendo construída há semanas com apoio de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e mantém relação próxima com integrantes do Partido Republicano.

Além de Trump, a expectativa do entorno de Flávio é de reuniões com integrantes do alto escalão do Departamento de Estado.

Crise internacional mudou prioridades

Aliados do senador admitem reservadamente que as negociações entre Estados Unidos e Irã passaram a representar um risco para a manutenção da agenda.

No fim de semana, Trump cancelou a participação no casamento do próprio filho, nas Bahamas, para permanecer em Washington acompanhando as tratativas diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio.

No sábado (23), o presidente americano afirmou que o acordo com o Irã estaria “em grande parte negociado” e indicou que novos detalhes poderiam ser anunciados em breve.

A crise internacional passou a ocupar o centro das prioridades da Casa Branca justamente no período em que Flávio tentava consolidar a agenda política nos EUA.

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Viagem ocorre após desgaste na pré-campanha

A ofensiva internacional do senador ocorre em um momento delicado para sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Nas últimas semanas, pesquisas Datafolha e AtlasIntel registraram perda de espaço de Flávio Bolsonaro em cenários contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a divulgação de áudios e mensagens relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.

A estratégia da equipe do PL passou a incluir agendas internacionais como forma de reforçar a imagem de Flávio junto ao eleitorado conservador e demonstrar proximidade com Trump mesmo em meio à crise.

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Nos bastidores, aliados avaliam que uma eventual foto ao lado do presidente americano teria potencial para reorganizar o noticiário político e mobilizar apoiadores do senador.