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A internacionalização do patrimônio já não é um tema distante para o investidor brasileiro. Com o amadurecimento do mercado local e a crescente oferta de soluções globais, a dúvida não é mais sobre diversificar geograficamente ou não, mas sobre como fazer isso. “É nessa hora que os fundos balanceados globais ganham protagonismo”, afirma Clara Sodré, analista de fundos da XP, no episódio 15 do podcast Espresso Outliers InfoMoney.
Antes de entender o papel desses veículos multimercados, vale compreender a lógica por trás da construção de carteiras dos grandes investidores globais – e como o investidor brasileiro pode aprender com ela.
Qual é a estratégia dos grandes investidores globais?
O ponto de partida não é a escolha do melhor ativo do momento. Quando Clara Sodré olha para os maiores patrimônios do mundo, o que chama atenção é justamente o contrário. “Os grandes investidores globais normalmente não constroem patrimônio tentando encontrar o melhor ativo do ano”, afirma. “Eles constroem patrimônio através da alocação eficiente em diferentes classes de ativos.”
Oportunidade com segurança!
Na prática, isso significa que a conversa começa pela estratégia de diversificação do portfólio – quanto vai para crescimento, quanto vai para proteção, quanto vai para geração de renda – e não pelo produto.
Essa inversão de lógica contrasta com o comportamento tradicional do investidor brasileiro, historicamente concentrado no ciclo doméstico: bolsa brasileira, juros brasileiro, crédito brasileiro, risco fiscal brasileiro. Quando o cenário local piora, praticamente todos os ativos sofrem juntos.
Carteiras globais bem construídas funcionam de forma diferente. Elas buscam criar múltiplos motores de retorno: enquanto uma região desacelera, outra pode acelerar; enquanto os juros sobem em um país, podem cair em outro; quando as ações sofrem, a renda fixa pode estabilizar o portfólio. Mais do que resultado no curto prazo, o objetivo é a resiliência.
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O que é o modelo 60-40 – e por que ele importa?
Um dos conceitos mais utilizados na construção de carteiras globais é o chamado modelo 60-40: 60% em ativos de crescimento (tipicamente, ações) e 40% em renda fixa. Clara, porém, faz uma ressalva importante. “60-40 nunca foi um número mágico”, afirma. “Na prática, é muito mais uma filosofia de construção de carteira.”
A proporção ideal varia conforme o perfil de risco, o horizonte de investimento e o cenário macroeconômico. Investidores mais conservadores podem trabalhar com estruturas 40-60. Os mais agressivos, com 70-30 ou até 80-20.
- Veja mais: Fundos balanceados: quais estratégias usam e quais vantagens têm?
- E também: Pix fora do Brasil: próxima etapa na internacionalização dos pagamentos
Muitas gestoras hoje adotam modelos dinâmicos, reduzindo exposição em ações quando o mercado parece excessivamente caro, aumentando renda fixa quando os juros ficam mais atraentes, e incorporando crédito privado global, ativos imobiliários e commodities conforme a oportunidade.
O ponto central, reforça a analista, não é decorar a proporção, e sim entender a lógica: a diversificação reduz a dependência de um único cenário macroeconômico.
Como os fundos balanceados simplificam esse processo?
Os fundos balanceados globais entram como solução prática de diversificação. Na definição de Clara, eles funcionam “quase como uma carteira global pronta”. Dentro de um único veículo, o investidor encontra exposição a ações globais, renda fixa internacional, crédito privado, mercados emergentes e ativos imobiliários, entre outros.
O benefício é a simplificação. Quem começa a investir globalmente normalmente enfrenta três grandes dificuldades: o excesso de possibilidades, a dificuldade em combinar os ativos e o desafio de manter o equilíbrio no longo prazo.
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Os fundos balanceados atendem as três demandas, porque contam com gestão profissional responsável pelo rebalanceamento, pelo ajuste de risco e pelo acompanhamento dos movimentos macroeconômicos globais.
Grandes gestoras internacionais como BlackRock, JP Morgan, Morgan Stanley e Franklin Templeton já oferecem estratégias balanceadas tradicionais acessíveis ao investidor brasileiro. Esse acesso tende a se ampliar com soluções como a conta Global XP.
O que o investidor deve fazer agora?
A mensagem de Clara é objetiva: a internacionalização não é um botão de ligar ou desligar. Ela começa gradual, estruturada e diversificada – e os fundos balanceados representam uma das formas mais simples de iniciar essa jornada.
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Na prática, a analista recomenda que o investidor não comece pelo ativo, mas pela definição de objetivos e perfil de risco. “Patrimônio de longo prazo normalmente não é construído através da concentração extrema. É construído através do equilíbrio”, afirma.
Para quem quer dar os primeiros passos no mercado internacional sem precisar dominar cada variável – como câmbio, geopolítica, juros americanos e seleção de empresas –, os fundos balanceados globais oferecem um caminho de entrada com diversificação real, gestão especializada e acesso a diferentes geografias e classes de ativos em uma única solução.