Azzas: JPMorgan vê piora nos riscos de governança e reitera recomendação neutra

Banco lembra que, desde o anúncio da fusão, um dos principais riscos percebidos pelo mercado era a combinação de culturas corporativas diferentes e estruturas de liderança altamente personalizadas

Felipe Moreira

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Anacapri (Divulgação: Azzas 2154)
Anacapri (Divulgação: Azzas 2154)

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O JPMorgan avalia que os recentes desdobramentos envolvendo disputas entre os principais grupos acionistas da Azzas 2154 (AZZA3) reforçam a percepção de que os riscos de governança se tornaram centrais para a tese de investimento da companhia.

Diante disso, apesar da ação negociar a múltiplos considerados baixos, de 5 vezes P/L (Preços sobre Lucro) estimado para 2026 e 4,1 vezes para 2027, os papéis podem continuar pressionados até que haja maior clareza sobre o alinhamento entre acionistas, a continuidade da integração e a estabilização da dinâmica de governança da empresa. O banco reiterou recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 24,50.

Por volta das 10h15, as ações da varejista subiam 1,60%, cotadas a R$ 19,08.

Os analistas lembram que, desde o anúncio da fusão, um dos principais riscos percebidos pelo mercado era a combinação de culturas corporativas diferentes e estruturas de liderança altamente personalizadas, o que poderia dificultar a integração dos ativos e a captura de sinergias.

Agora, segundo o JPMorgan, os desentendimentos parecem ir além de divergências pontuais e incluem disputas judiciais, arbitragem, vazamentos relacionados à governança e participação de assessores externos, sugerindo deterioração mais ampla no relacionamento entre os dois principais grupos acionistas.

Para o banco, a principal preocupação dos investidores não é necessariamente uma separação iminente da companhia, cenário visto como complexo e de criação de valor incerta, mas sim o potencial impacto na execução da integração.

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O JPMorgan ressaltou que a Azzas ainda atravessa uma fase altamente dependente da integração, incluindo captura de sinergias, redesenho organizacional, integração logística e recuperação de margens. Nesse contexto, disputas prolongadas de governança podem comprometer o ritmo de execução e atrasar a materialização da tese original da fusão, especialmente em um ambiente de crescimento mais desafiador.

Entenda o caso

Os últimos dias têm sido complicados para as ações da Azzas, depois que o acionista Roberto Jatahy apresentou em 12 de maio um pedido judicial contra mudanças envolvendo a marca Reserva, o que voltou a trazer à tona possíveis disputas internas entre os principais acionistas da varejista.

O episódio reforçou preocupações sobre possíveis divergências internas entre os dois principais acionistas da companhia.

Em 13 de maio, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro determinou a manutenção da estrutura organizacional e do modelo operacional vigentes até 22 de abril de 2026 nas unidades de vestuário feminino e masculino. Além disso, Roberto Jatahy deverá ser mantido no cargo de Chief Brand Officer (CBO) e assumirá interinamente a gestão dessas unidades de negócio.

Na última terça-feira, a Azzas confirmou, em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que contratou o Itaú BBA como assessor financeiro para avaliar potenciais oportunidades estratégicas envolvendo a companhia, suas controladas e ativos