Aliados avaliam que Flávio não suporta novo desgaste e pedem distanciamento de Castro

Após reunião em que senador admitiu encontro com Vorcaro mesmo após prisão do banqueiro, interlocutores tentam afastar novas crises

Agência O Globo

O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

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A reunião convocada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para tentar conter a crise envolvendo Daniel Vorcaro terminou reforçando dentro do PL a avaliação de que a pré-campanha presidencial do senador não suporta uma nova sequência de desgastes políticos.

Depois de ouvir do próprio Flávio que ele se encontrou pessoalmente com o banqueiro mesmo após sua prisão, aliados passaram a defender reservadamente que novas crises sejam evitadas a qualquer custo. Por isso, cresceu a pressão para que o senador reduza rapidamente a associação com o ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo de operação da PF na semana passada na investigação sobre suspeitas de fraude fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo o grupo Refit.

Segundo relatos feitos ao GLOBO, a principal preocupação deixada pela reunião desta terça-feira foi o receio de novos vazamentos ou revelações envolvendo pessoas próximas ao núcleo bolsonarista.

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Embora Flávio tenha repetido aos parlamentares que “não há mais nada” além da relação envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, deputados e senadores saíram da sala ainda inseguros sobre possíveis desdobramentos das investigações.

Foi nesse contexto que cresceu dentro do partido a pressão para que o senador reduza potenciais focos de desgaste ao redor da campanha presidencial. Cláudio Castro passou a ser visto por parte do entorno bolsonarista como um risco político adicional num momento em que Flávio tenta estabilizar sua pré-candidatura.

Na reunião desta terça-feira, o senador revelou pela primeira vez à bancada que procurou Vorcaro pessoalmente após a primeira prisão do banqueiro. Flávio disse que decidiu ir até São Paulo depois de perceber a gravidade da situação do empresário e afirmou que o encontro ocorreu para encerrar a relação envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro.

Diante do desgaste, Castro passou a fazer parte das conversas entre parlamentares e dirigentes desta terça-feira. Na sexta-feira passada, o ex-governador foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito da investigação sobre suspeitas de fraude fiscal, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro envolvendo o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A operação aprofundou uma crise que já vinha crescendo desde março, quando Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Neste contexto, a reunião acabou reacendendo dentro do PL a pressão para que Castro seja substituído na disputa pelo Senado no Rio. São ventilados nomes como os deputados Sóstenes Cavalcante, Carlos Jordy e Altineu Côrtes.

Aliados de Flávio avaliam que o senador precisará atravessar as próximas semanas em modo de contenção de danos. Por isso, passaram a defender o fim de agendas, imagens e movimentos políticos ao lado de Castro.

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