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A Polícia Federal (PF) deve ouvir nesta quarta-feira a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, em depoimento que faz parte do inquérito que apura supostas fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ela é investigada por ser o elo entre Lulinha e o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como careca do INSS e pivô do suposto esquema.
As investigações apontam que foi ela quem apresentou o lobista ao filho do presidente, que estaria interessado em entrar no mercado da cannabis medicinal. Antunes possuía junto com o filho a empresa World Cannabis, que era referência no Brasil no fornecimento de remédios à base de maconha medicinal.
Segundo a Polícia Federal, a empresária prestou serviços de consultoria ao careca do INSS, recebendo R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil. Os dados constam da quebra do sigilo fiscal do lobista. O trabalho previa viabilizar um contrato no Ministério da Saúde para disponibilizar medicamentos feitos de cannabis ao Sistema Único de Saúde (SUS) — mas o plano não foi adiante.
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Um áudio de WhatsApp, obtido pelo GLOBO, mostra Luchsinger tratando com Antunes sobre conseguir um acordo com dispensa de licitação.
— É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação — diz ela ao Careca do INSS, no início de 2025.
A Polícia Federal deve perguntar à empresária se Lulinha tinha negócios com o Antunes e se recebeu pagamentos do mesmo. Os investigadores já identificaram que ela, o filho do presidente e o careca do INSS viajaram juntos à Europa com o intuito de prospectar negócios no ramo da cannabis medicinal.
A defesa de Lulinha, no entanto, diz que o filho do presidente nunca fechou nenhum contrato nem recebeu nenhum valor do careca do INSS.
A defesa de Roberta Luchsinger não quis se posicionar sobre o depoimento.
Ex-candidata a deputada estadual pelo PT, Luchsinger foi alvo de um mandado de busca e apreensão na quinta-feira em uma fase da Operação Sem Desconto, deflagrada no fim do passado.
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Neta e herdeira de um banqueiro suíço, Luchsinger ficou conhecida em 2017 por anunciar que iria lançar um movimento de apoio financeiro ao ex-presidente Lula, que na época havia tido as contas bloqueadas pelo então juiz Sergio Moro na Operação Lava-Jato. À época, ela anunciou que faria uma doação pessoal de R$ 500 mil ao então ex-presidente.
Nas redes sociais, a empresária expõe uma relação de amizade com a mulher de Lulinha, a quem chama de “irmã de alma”.
