Lojas Quero-Quero dobra prejuízo no 1º tri e ações fecham em derrocada de 21%

Divisão de serviços financeiros foram grandes vilões do resultado da companhia, segundo BBa

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

As Lojas Quero-Quero (LJQQ3) reportaram resultados abaixo das estimativas do mercado no primeiro trimestre de 2026. A companhia teve prejuízo líquido de R$ 61,7 milhões no período, um aumento das perdas de 98% em relação ao 1T25.

Os mercados reagiram e, nesta sexta-feira (8), a LJQQ3 fechou com queda de 21,03%, sendo negociada a R$ 1,54.

De acordo com o Itaú BBA, os resultados sofreram com a compressão das margens da divisão de serviços financeiros. Em vista deste desempenho, o banco reduziu as estimativas para a companhia. A recomendação segue de compra, com preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 3,60, ante os R$ 1,97 de anteriormente.

Continua depois da publicidade

O prejuízo líquido ajustado das Lojas Quero-Quero cresceu no período, batendo R$ 35,5 milhões. Apesar da receita bruta ter ficado quase em linha com as expectativas, a margem bruta consolidada ficou 0,8 ponto percentual abaixo do esperado.

Além disso, a receita encerrou o trimestre em R$ 790,2 milhões, uma alta de 3,3% ao ano e a margem bateu 26,8%. A variação do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou próximo de zero, em R$0,6 milhão.

Serviços financeiros como destaque negativo

A principal fonte de decepção nos resultados, conforme os analistas do banco, foi a margem de serviços financeiros. De acordo com o banco, a Selic manteve pressão sobre a rentabilidade, comprimindo os resultados.

A margem chegou a recuar 9,2 pontos percentuais (p.p.) na comparação com o ano anterior, para 34,1%. O BBA atribui essa compressão aos maiores custos de captação, por conta da Selic elevada e ao aumento das provisões. Além disso, uma mudança deliberada para linhas de crédito de menor risco, impactou os resultados.

Leia mais:

As despesas financeiras da companhia também saltaram, com alta de 30,2% ao ano. Os analistas também atribuem os novos valores à alta da taxa de juros.

Continua depois da publicidade

De acordo com o BBA, a companhia continua sendo uma das empresas mais sensíveis aos juros dentro da cobertura. Segundo o banco, o ciclo de corte de juros pode servir como um importante catalisador para o restante do ano.

Essa característica se dá devido à sua exposição ao setor de materiais de construção, alta dependência de crédito próprio e estrutura de financiamento atrelada a taxas flutuantes.

Tópicos relacionados