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O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta semana, levando a Selic a 14,50%, em decisão amplamente esperada pelo mercado. O comunicado pós-reunião misturou tons hawkish e dovish: de um lado, o colegiado reconheceu que as perspectivas para a inflação se deterioraram, com dados correntes e projeções se distanciando ainda mais da meta; de outro, reiterou que as atuais condições monetárias restritivas seguem efetivas para conter o crescimento da atividade.
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Na leitura do time de economia da XP, a piora do cenário inflacionário não foi suficiente para alterar o plano do Copom de continuar calibrando a taxa para baixo. O recado, portanto, é de que o ciclo de cortes deve prosseguir, ainda que em ritmo gradual, com o Banco Central tentando equilibrar a desinflação ainda incompleta e os sinais de desaceleração da economia.
Temporada do 1T26 começa com lucro pressionado por commodities
As estimativas da XP para os resultados do primeiro trimestre de 2026 apontam um período misto, mas sequencialmente melhor: 8 dos 15 setores acompanhados devem registrar queda de lucros. Para o universo de cobertura, com cerca de 140 empresas, a prévia consolidada indica crescimento de 4,9% na receita líquida em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (ante 5,5% no 4T25) e expansão de 4,7% no EBITDA, revertendo a contração de 2,7% vista no trimestre imediatamente anterior.
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A linha final, no entanto, segue pressionada. A projeção é de queda de 18,4% no lucro líquido em base anual, movimento puxado principalmente pelo segmento de commodities, que enfrenta um quadro mais desafiador de preços e custos. Setorialmente, a leitura é de dispersão alta, com vencedores e perdedores claros dentro da temporada.
Assessores XP veem apetite por ações em deterioração
A nova edição da pesquisa com assessores da XP mostrou queda na intenção dos clientes de aumentar a exposição em renda variável, ainda que os níveis efetivos de alocação tenham permanecido relativamente estáveis em relação ao levantamento anterior. O movimento sugere cautela adicional do investidor pessoa física diante de um cenário macro ainda nebuloso, com inflação resistente e juros longos pressionados.
A renda fixa, por sua vez, segue como a classe de ativo preferida entre os clientes, beneficiada pela Selic ainda em patamar elevado e por taxas reais que continuam atrativas em títulos atrelados à inflação. O resultado reforça a tese de que a migração estrutural para a bolsa depende de ancoragem fiscal e de uma trajetória mais clara de queda dos juros.
MRV (MRVE3) aposta em lógica “fabril” para ganhar produtividade
No mais recente episódio do Expert Talks – Na Mesa com CEOs, Rafael Menin, presidente da MRV (MRVE3), detalhou a estratégia da maior incorporadora habitacional da América Latina para os próximos anos. Segundo o executivo, a companhia tem adotado uma lógica cada vez mais “fabril” na operação, com foco em padronização e ganhos de produtividade em obra.
O movimento vem acompanhado de uma reorganização geográfica: o volume de lançamentos da MRV (MRVE3) tem crescido, mas com presença em um número menor de cidades, concentrando esforços em mercados onde a empresa enxerga maior eficiência operacional e melhor retorno por projeto. A aposta é que essa combinação se traduza em margens mais saudáveis ao longo do ciclo.

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Vale (VALE3): custos ofuscam preços melhores no balanço
Os resultados da Vale (VALE3) divulgados nesta semana tiveram nos custos o ponto mais fraco, segundo a leitura da XP. As pressões adicionaram peso ao desempenho financeiro e ofuscaram ventos favoráveis vindos do lado da receita, em um trimestre em que minério de ferro, cobre e níquel seguiram operando em patamares de preço mais elevados, a estratégia de volumes sustentou prêmios resilientes no minério e as operações de metais básicos continuaram em trajetória de melhora.
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Apesar disso, a XP enxerga o valuation da Vale (VALE3) como um limitador para um upside mais expressivo no curto prazo. Em termos relativos, porém, o múltiplo segue mais atrativo do que o dos pares globais, o que pode garantir algum momentum para o papel, especialmente em janelas de entrada de fluxo estrangeiro.
Volta o debate sobre a “taxa das blusinhas”
Voltou à pauta dentro do governo federal a possibilidade de eliminar ou reduzir o imposto federal de importação de 20% que incide sobre compras internacionais de até US$ 50. A discussão reacendeu preocupações entre varejistas domésticos, que temem perda de competitividade frente a plataformas estrangeiras de comércio eletrônico em um momento de consumo já enfraquecido.
Eventual mudança representaria uma reversão parcial do Remessa Conforme, arcabouço criado em 2023 para formalizar e tributar transações cross-border de baixo valor. O ponto de atenção é o sinal de que regras fiscais sobre o varejo digital seguem sujeitas a idas e vindas, criando ruído adicional para a tese de investimento no setor.
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TCU pausa novas originações atreladas ao INSS
O Tribunal de Contas da União determinou a suspensão imediata de novas originações atreladas ao INSS, alcançando cartões de crédito consignado e cartões de benefício, com extensão temporária também ao consignado pessoal. A medida tem caráter formalmente cautelar, mas reflete preocupações persistentes com fraudes, vazamento de dados e fragilidade dos controles preventivos no ecossistema de crédito ao aposentado.
No curto prazo, há pressão sobre os bancos mais expostos ao segmento, com impacto direto sobre originação e receitas. No longo prazo, porém, a leitura é de racionalidade: um nível mais elevado de supervisão tende a reduzir perdas com fraudes e fortalecer a sustentabilidade do produto, beneficiando os players com melhores controles internos.