8 ações caem mais de 15% e só 5 sobem mais de 10%: os destaques do Ibovespa em abril

Usiminas foi destaque de ganhos, enquanto Cyrela e Cury tiveram as maiores baixas

Lara Rizério Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

Painel de cotações e gráfico no celular (Crédito: Shutterstock)
Painel de cotações e gráfico no celular (Crédito: Shutterstock)

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O Ibovespa fechou o mês de abril quase no “zero a zero”, com leve queda de 0,08%, a 187.318 pontos, após uma sequência de quedas que o distanciou da marca inédita de 200 mil que ensaiou atingir em meados do mês.

Em meio a essa forte volatilidade da Bolsa, algumas ações se destacaram positivamente, como as siderúrgicas, com destaque para Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4). Apenas 5 ações subiram mais de 10% no mês: além de Usiminas, Gerdau, Hapvida (HAPV3), Auren (AURE3) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4) também avançaram pelo menos dois dígitos.

Por outro lado, 8 ações tiveram baixa superior a 15%: duas classes de ações da Cyrela (CYRE4, -19,44%; CYRE3, -17,64%), Cury (CURY3, -18,56%), Yduqs (YDUQ3, -18,04%), MBRF (MBRF3, -16,16%), Suzano (SUZB3, -15,84%), Cogna (COGN3, -15,50%) e Azzas (AZZA3, -15,05%).

Confira os destaques de maiores baixas e altas do mês de abril:

Maiores baixas

Cyrela (CYRE4, -19,44%; CYRE3, -17,64%) e Cury (CURY3, -18,56%)

As ações de incorporadoras voltadas ao segmento de baixa renda recuaram 19,44%, para Cyrella (CYRE3) e 18,56%, caso da Cury (CURY3) em abril, acumulando queda próxima de 30% a 40% em relação às máximas recentes. Uma das razões gerais para o recuo seria a deterioração do cenário e ao aumento da aversão ao risco, segundo o Bradesco BBI.

Além disso, a principal notícia que impactou o setor em abril foi a do programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo que, entre outras medidas, permitirá que trabalhadores usem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas.

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Para o BBI, o principal problema é visibilidade: a inflação de custos é difícil de projetar e os resultados do 1T26 (primeiro trimestre de 2026) pouco devem esclarecer esse tema. O contexto, desta forma, mantém uma pressão vendedora de curto prazo sobre as ações do setor e mantém os investidores defensivos, como explica o BBI.

Yduqs (YDUQ3, -18,04%) e Cogna (COGN3, -15,50%)

Muito correlacionadas com juros, as duas maiores companhias do setor educacional no Ibovespa enfrentaram tempos mais difíceis pelo cenário macroeconômico. No mês, a queda foi de 15,50% para Cogna e 18,04% para Yduqs.

Ainda assim, o JPMorgan considera que a Cogna (COGN3) deve consolidar um desempenho operacional mais forte do que o da Yduqs (YDUQ3) ao longo do primeiro trimestre de 2026 (1T26), amparada por uma captação de alunos mais eficiente nas modalidades presenciais, de acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira (24).

MBRF (MBRF3, -16,16%)

O mês da MBRF (MBRF3) foi composto de oscilações nos papéis, com notícias sobre potencial futura oferta de ações da divisão Sadia Halal e a venda de 70 milhões de ações pela Saudi Agricultural ‌and Livestock Investment Company (SALIC). A operação fez com que os papéis derrapassem mais de 10% em apenas uma sessão.

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Em 15 de abril, a SALIC vendeu ‌nesta quarta-feira cerca de 70 milhões de ações da produtora ⁠brasileira ‌de alimentos ⁠MBRF (MBRF3), segundo o jornal Valor Econômico, sem fornecer detalhes sobre ​como obteve a informação. No pregão deste dia, a MBRF teve baixa de 10,38%, a R$ 19,60.

Apenas dois dias antes, a companhia havia celebrado aditivo ao contrato de segurança alimentar com a SALIC. Os volumes máximos de fornecimento contratados foram duplicados e incluídos os produtos de carne bovina.

Suzano (SUZB3, -15,84%)

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Com o real mais forte, a companhia tem passado por um momento de vento contrário. De acordo com o Bradesco BBI, cada variação de US$0,10 no real impacta o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual em cerca de 3%.

Apesar do conflito em curso no Oriente Médio exercer pressão de custos e riscos à demanda por celulose, as avaliações atuais já compreendem amplamente esses fatores. O mesmo vale para os riscos de excesso de oferta de celulose com a expansão da produção na China.

Além dos ventos negativos desde o começo do ano, a companhia reportou resultados lidos pelo mercado como negativos, abaixo da estimativa já conservadora, para o primeiro trimestre de 2026. O desempenho foi pressionado por ambas as unidades de papel e celulose da empresa, que tiveram queda no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

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Os investidores reagiram e, no primeiro dia após o balanço, as ações chegaram a cair mais de 2%.

Azzas (AZZA3, -15,05%)

Em abril, o  grupo de moda Azzas 2154 (AZZA3) anunciou que o presidente da unidade de “Fashion & Lifestyle”, Ruy Kameyama, vai deixar a empresa. No dia do anúncio, o grupo varejista de vestuário perdeu mais de 10%.

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O papel de Kameyama era particularmente importante dentro do grupo, sendo descrito como a “ponte” entre as duas figuras mais poderosas da Azzas: Alexandre Birman (AR&Co) e Roberto Jatahy (fundador da Soma).

O JPMorgan, no fim do mês, cortou ainda a recomendação da ação de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para equal-weight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro), citando deterioração das perspectivas de crescimento, pressão sobre margens e incertezas relacionadas à integração e governança. 

Confira as baixas do Ibovespa em abril:

TickerPreço (R$)Variação no mês (%)
CYRE421,34-19,44%
CURY330,06-18,56%
YDUQ39,86-18,04%
CYRE323,49-17,64%
MBRF317,43-16,16%
SUZB343,84-15,84%
COGN32,78-15,50%
AZZA321,62-15,05%
MRVE36,92-14,04%
WEGE344,86-12,06%
SMFT317,27-11,39%
BEEF33,8-10,59%
KLBN1117,48-10,59%
LREN313,6-9,09%
TOTS331,86-8,74%
CEAB311,32-7,29%
CSAN35,04-7,18%
SANB1129,04-6,92%
MGLU38,23-6,80%
TIMS325,75-6,64%
SLCE317-6,44%
CSMG354,04-6,16%
BBAS322,21-6,01%
ABEV314,51-5,53%
DIRR312,85-5,38%
VIVT339,25-5,12%
ASAI38,85-4,84%
RECV312,96-4,71%
CSNA36,23-4,45%
EMBJ377,04-4,42%
RENT345,91-3,85%
IGTI1127,5-3,71%
BBSE333,88-3,48%
RENT444,14-3,29%
CMIN34,67-2,91%
HYPE322,53-2,89%
VIVA325,81-2,75%
RDOR338,36-2,71%
B3SA318,03-2,65%
MULT331,72-2,37%
VALE381,18-2,19%
RAIL315,73-2,12%
RADL321,94-1,83%
ITSA413,92-1,83%
NATU310,19-1,55%
ITUB443,19-1,46%
CXSE318,09-1,42%
BRAP422,94-1,33%
BRAV319,13-0,73%
CMIG412,54-0,71%
TAEE1142,52-0,63%
ENGI1152,82-0,34%
ALOS330,65-0,16%
PSSA349,79-0,12%
BBDC316,72-0,06%

Maiores altas

Usiminas (USIM5): alta de 22,45%

A Usiminas viu suas ações como destaque de alta em meio às medidas antidumping e resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) considerados positivos e levando a revisões para cima nas projeções da companhia.

A Usiminas reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado de R$ 653 milhões no 1T26, alta de 56% na comparação com o trimestre anterior e 31% acima da estimativa do Itaú BBA.

Segundo o banco, a surpresa positiva foi impulsionada por desempenho melhor que o esperado em custos e volumes na divisão de aço. A companhia indicou EBITDA estável no negócio de aço para o 2T26, já que preços mais altos devem ser compensados por custos maiores. Embora isso não deva surpreender os investidores, que já antecipavam pressões de custos no 2T26, o ponto de partida mais forte no 1T26 tende a levar a revisões para cima nas estimativas do consenso para o ano.

Após os resultados, bancos como Morgan Stanley e UBS BB elevaram estimativas e preço-alvo para USIM5.

O UBS BB elevou as estimativas de EBITDA para 2026 e 2027 em cerca de 10% a 15% e aumentando o preço-alvo para R$ 10 por ação, ante R$ 9 anteriormente. O banco vê um ponto de partida mais elevado para as margens de EBITDA do aço, em 10,4% no 1T26, frente a 7,4% estimados anteriormente, e agora projeta de forma conservadora margens de 14% em 2027, ante 13% antes, à medida que aumentos de preços sejam implementados gradualmente, com maior concentração a partir do 3T26.

Já o Morgan Stanley, apesar de ver um perfil de risco-retorno considerado assimétrico positivo, manteve recomendação equalweight (neutra) para Usiminas, mas com preço-alvo passando de R$ 7 para R$ 7,80.

Hapvida (HAPV3): avanço de 18,23%

Apesar das previsões desafiadoras para a Hapvida, as ações estiveram entre as maiores altas do mês de abril.

Conforme destacou o Itaú BBA em análise recente, muito aconteceu com a Hapvida nos últimos meses. Após um terceiro trimestre que ficou bem abaixo das expectativas e levou a uma forte deterioração da capitalização de mercado, o quarto trimestre trouxe tendências ainda mais desafiadoras – mas as ações subiram logo em seguida.

Isso porque a família controladora aumentou sua participação na empresa (por meio de trocas de ações), enquanto a gestão passou por uma reestruturação significativa, ao mesmo tempo em que um acionista minoritário pressionou para nomear membros independentes para o conselho.

Enquanto isso, as debêntures da empresa têm sofrido pressão no mercado secundário, sendo negociadas com ágios elevados em meio a crescentes preocupações com as tendências de fluxo de caixa. “Essas preocupações diminuíram um pouco após sinais iniciais de que a empresa está estudando a alienação de regiões não essenciais – ativos que podem não resolver os desafios operacionais, mas poderiam proporcionar algum alívio ao balanço patrimonial”, apontou o Itaú BBA.

Neste sentido, o banco discutiu as perspectivas sobre o cenário competitivo e as ações que a empresa pode tomar no curto prazo para melhorar as tendências em São Paulo. “Apoiamos as recentes mudanças implementadas pela empresa, incluindo o início do processo de desinvestimento e um diagnóstico mais claro dos desafios em São Paulo. Dito isso, ainda vemos a empresa passando por uma transição complexa, que deve resultar em um ano de 2026 ainda desafiador em termos de margens e fluxo de caixa livre”, apontou, mantendo cautela no curto prazo e seguindo com recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra).

Na última sessão do mês, o Bradesco BBI rebaixou a recomendação da Hapvida para Neutra e reduziu o preço-alvo para o fim de 2026 para R$ 14 (de R$ 19), refletindo a combinação de fraco momentum de resultados, baixa visibilidade e valuation esticado no curto prazo. O banco vê a ação negociando a cerca de 20 vezes (x) o lucro em 2026, frente a 16x da Rede D’Or (RDOR3), apesar de uma margem EBITDA ainda deprimida.

Auren (AURE3): valorização de 15,46%

A Auren passou em meados de abril por mais um passo importante para uma reorganização societária, visando simplificar sua estrutura e otimizar a gestão de ativos. A companhia informou que já aprovou a primeira fase do processo, que inclui a incorporação da Auren Participações pela Auren Operações, consolidando o controle direto da operação.

A iniciativa faz parte de movimento mais amplo para concentrar os ativos hidrelétricos em um único veículo de investimento, além de reduzir a complexidade societária e aumentar a eficiência na gestão de caixa e endividamento.

Na prática, a primeira fase já aprovada elimina a Auren Participações, que será absorvida pela Auren Operações. Com isso, a Auren Energia passará a deter diretamente 100% do capital da Auren Operações, fortalecendo o controle e simplificando a cadeia societária.

A segunda fase do plano, ainda em estudo, prevê movimentos mais robustos. Entre eles, está a transferência de ativos e passivos para a CESP, incluindo a totalidade das ações da Auren Operações. Caso implementada, a operação resultaria na incorporação da própria Auren Operações pela CESP, consolidando ainda mais os ativos de geração hidrelétrica em um único veículo. As etapas dependem de condições precedentes, como aprovações regulatórias e societárias, além de anuências de terceiros.

Por outro lado, os analistas fazem estimativas para o resultado da companhia, a ser revelado no próximo dia 6 de maio. A visão do Itaú BBA é de um trimestre desafiador para a Auren: a empresa deve enfrentar um dos trimestres mais desafiadores entre as empresas cobertas.

“A combinação de menor disponibilidade de vento, geração hidrelétrica mais fraca e um ambiente de preços desfavorável entre submercados pressiona tanto a geração quanto a área de comercialização de energia”, aponta o BBA. Para o banco, embora o portfólio hidrelétrico tenha se beneficiado de preços mais altos para esse tipo de energia, o efeito não é suficiente para compensar o restante dos impactos, levando a um recuo relevante no desempenho operacional em relação ao mesmo período do ano anterior.

Gerdau (GGBR4): +14,66% e Gerdau Metalúrgica (GOAU4): +12,46%

Os resultados da Gerdau também impulsionaram as ações no 1T26. No fim do mês, a companhia divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão para o primeiro trimestre, um crescimento de 33,6% sobre o resultado apresentado um ano antes. 

Segundo o Bradesco BBI, o principal fator por trás do resultado foi o desempenho de custos no Brasil, que surpreendeu positivamente após cinco trimestres consecutivos de retração operacional. “Ainda que a geração de caixa tenha sido modesta, o número ficou bem acima da nossa expectativa negativa inicial, reforçando a leitura de melhora operacional pontual”, avalia o BBI.

A XP Investimentos avalia que Gerdau reportou resultados melhores do que o esperado, com EBITDA ajustado de aproximadamente R$ 3 bilhões, refletindo mais um sólido desempenho na América do Norte e margens melhores no Brasil.

Cabe ressaltar que, no início do mês, o Itaú BBA havia elevado a recomendação da Gerdau para equivalente à compra, destacando melhor relação risco-retorno.

Sabesp (SBSP3): alta de 8,76%

As ações da Sabesp seguem sendo destaque e tiveram ganhos fortes em abril, com analistas também colocando o papel como preferida entre as utilities (energia e saneamento).

Nesta semana, os papéis da Sabesp passaram por um desdobramento de ações na proporção de 1 para 5, sem alteração do capital social, podendo dar espaço para novas altas dos ativos. Após o desdobramento, o Santander ajustou o preço-alvo para R$ 35,22 por ação ante R$ 176,39, mantendo a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra). 

Em meados do mês, o JPMorgan reiterou a Sabesp como sua principal escolha no setor de utilidades (utilities, ou energia e saneamento).

Para o banco, a Sabesp oferece um combo de fundamentos sólidos, fatores técnicos favoráveis e opicionalidade atrativa. Com base nesses parâmetros, os analistas também elevaram a estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 6% para 2026-2027, 6% acima do consenso do mercado.

Eneva (ENEV3): alta de 8,36%

A Eneva também teve um mês de ganhos, ainda repercutindo novos contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas com o leilão de reserva de capacidade (LRCAP), sendo a maior contratação já realizada pelo setor elétrico do país. A Eneva incluiu dois clusters greenfield de termelétricas a gás, infraestrutura associada, ativos existentes e um plano de investimentos estimado em R$ 18,2 bilhões.

Leia também: Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheio

Em meados de abril, a XP Investimentos divulgou relatório elevando as estimativas para a Eneva, com a projeção que a companhia alcance uma taxa interna de retorno (TIR) real de 9,3% após os resultados do Leilão.

O novo cenário traçado pela instituição financeira coloca o rendimento da empresa acima da média de 8% registrada pelos seus pares, fundamentando a decisão de fixar o preço-alvo para as ações da Eneva em R$ 30,30 para 2026. A tese de investimento da XP é baseada na premissa que a empresa se consolidou como a maior fornecedora de gás flexível do país, o que permite a Eneva a monetizar a capacidade ociosa de seus terminais de regaseificação. 

Confira as altas do Ibovespa em abril:

TickerPreço (R$)Variação no mês (%)
USIM58,2822,45%
HAPV312,3918,23%
AURE313,8915,46%
GGBR422,6114,66%
GOAU49,9312,46%
SBSP333,158,76%
ENEV327,088,36%
EGIE335,317,39%
VBBR333,296,53%
PETR354,736,48%
AXIA668,655,28%
POMO46,485,19%
VAMO33,965,04%
PETR449,084,80%
AXIA362,054,32%
EQTL342,324,21%
PRIO366,413,56%
ISAE429,513,33%
BPAC1159,343,02%
UGPA329,942,29%
BRKM59,151,10%
CPFE348,930,87%
BBDC419,320,78%
CPLE315,90,44%
FLRY316,070,31%
IRBR353,50,04%

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.