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A busca por consistência no day trade costuma esbarrar em um paradoxo: quanto mais o trader tentar sofisticar sua operação, maior tende a ser a chance de erro.
Nesse cenário, simplificar deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade prática para sobreviver no mercado.
Pam Semezzato, analista técnica CNPI-T, trader e mentora, foi a convidada do episódio 14 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast.
Ela detalhou sua evolução no mercado, desde o primeiro contato com gráficos até a construção de um modelo operacional baseado em regras claras, gestão de risco e leitura objetiva do preço.
Paixão que virou método
O primeiro contato com o mercado não aconteceu de forma estruturada, mas sim por curiosidade. Ainda assim, esse momento foi suficiente para despertar um interesse que rapidamente se transformou em algo mais profundo.
Com o tempo, o que parecia apenas uma afinidade evoluiu para dedicação constante aos gráficos.
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Além disso, a identificação com a análise técnica foi imediata, principalmente pela possibilidade de transformar a leitura em regra.
Esse aspecto foi determinante para o desenvolvimento de um perfil mais disciplinado e alinhado com o operacional exigido pelo mercado.
“Paixão por esses gráficos. A partir do momento que eu tive o primeiro contato, eu não quis parar mais. É um negócio que no começo parece vício, mas aí você percebe que é uma paixão que vira amor”, afirma.
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Mas a evolução não foi linear. Mesmo com anos de contato com gráficos, a transição para o day trade exigiu ajustes relevantes.
A diferença entre operar swing trade e atuar no intraday trouxe novos desafios, principalmente na execução e no controle emocional.
“Você fala: ‘Cara, eu olho o gráfico há 7 anos, vou mandar benzão’, né? Aí até as primeiras operações que você vê que não é bem assim”, observa.
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Leia também: Como Nicholas Kawasaki criou seu método operacional e se tornou trader consistente
Objetividade acima de tudo
A construção do modelo operacional parte de um princípio direto: objetividade. Em vez de depender de interpretações subjetivas, a trader estruturou sua leitura com base em regras claras de entrada, saída e gestão de risco.
Dessa forma, o processo se torna replicável e menos suscetível a erros emocionais.
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Além disso, o alinhamento entre perfil pessoal e método foi essencial, criando um ambiente onde disciplina e execução caminham juntas.
“Eu gosto muito de objetividade. Se você fizer isso, isso e aquilo, vai dar X. Se você fizer aquilo, isso e isso, vai dar Y”, explica.
Consequentemente, a falta de disciplina tende a gerar autossabotagem. Sem regras bem definidas, o trader passa a operar de forma inconsistente, aumentando a probabilidade de prejuízo.
O método não é apenas técnico, mas também comportamental. “Se eu não for metódica, você vai acabar se sabotando e tomando loss, obviamente mais do que gain”, alerta.
Leia também: Timing, fluxo e manejo de risco: a metodologia operacional de Flávio Lemos
Simplicidade operacional
Com o tempo, a simplificação do setup se tornou uma das principais mudanças na forma de operar. Inicialmente, o uso excessivo de indicadores dificultava a tomada de decisão, principalmente no ritmo acelerado do day trade.
Dessa forma, reduzir variáveis passou a ser uma necessidade prática.
O processo de eliminação de indicadores foi gradual. A cada ajuste, o foco se voltava mais para o que realmente fazia diferença na execução.
Hoje, o modelo é baseado em poucos indicadores, priorizando leitura de preço e contexto.
“Você não precisa de tudo isso, não precisa operar tudo que você sabe. Você pode saber, mas você tem que operar o que você gosta, o que você faz bem”, ressalta.
Nesse sentido, a clareza operacional permite decisões mais rápidas e assertivas. Em um ambiente onde segundos fazem diferença, reduzir complexidade se traduz em vantagem competitiva.
“Eu comecei a tirar, tirei um, tirei outro, tirei outro. Até o ano passado eu tirei o último”, afirma.
Leia também: Menos é mais: o operacional enxuto e o poder das médias móveis
Tendência e consistência
Operar tendência exige resiliência. Na prática, a maior parte dos dias não apresenta movimentos claros, o que resulta em uma sequência de stops até que um cenário favorável apareça.
Ainda assim, é justamente nesses momentos que o payoff se constrói.
Além disso, a consistência não vem da taxa de acerto elevada, mas sim da relação entre risco e retorno.
Mesmo com perdas frequentes, um único movimento bem aproveitado pode compensar diversos trades negativos. “Operar tendência é assim: apanha, apanha, apanha, mas quando dá certo, mata o cara”, conclui.
Portanto, mais do que encontrar o melhor setup, o diferencial está em executar bem o que já funciona. Em um mercado onde a maioria busca complexidade, a consistência pode estar justamente no simples.
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