Ministro da Previdência se reúne com nova presidente do INSS

Waller havia sido escolha de Lula após operação contra descontos indevidos em aposentadorias e pensões

Agência O Globo

Brasília (DF), 10/06/2025 - Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fala sobre a agenda estratégica do ministério e irregularidades no INSS, em audiência pública nas comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; e da Previdência. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Brasília (DF), 10/06/2025 - Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fala sobre a agenda estratégica do ministério e irregularidades no INSS, em audiência pública nas comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; e da Previdência. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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O ministro da Previdência, Wolney Queiroz (PDT-PE), deve se reunir com a nova presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, nesta terça-feira. O objetivo é discutir os próximos passos no comando do órgão e eventuais novas substituições devem ser feitas na autarquia.

A expectativa é que haja mudanças na diretoria, além de assessores do ex-presidente Gilberto Waller, demitido na segunda-feira.

Segundo interlocutores, deve haver trocas na diretoria de benefícios, comandada por Márcia Eliza de Souza, e na procuradoria do órgão, ocupada por Elvis Gallera Garcia. Os dois são servidores de carreira da Advocacia-Geral da União ( AGU), com experiência em previdência e foram indicados por Gilberto Waller.

A nomeação de Ana Cristina para a presidência do INSS representa maior ingerência do ministro no INSS, um ano após a deflagração da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, em abril de 2025, que revelou um esquema de fraudes contra aposentados e resultou na queda de todos os dirigentes do órgão e do ex-ministro Carlos Lupi (PDT-RJ).

Waller foi escolha técnica do presidente Lula, na tentativa de melhorar a imagem do INSS e encontrar uma solução para indenizar os aposentados pelos descontos indevidos a favor de associações e entidades sindicais.

Servidora de carreira da Previdência, Ana Cristina foi indicada para a presidência do INSS pelo ministro. Antes da nomeação, ela exercia o cargo de secretária executiva adjunta da pasta.

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Em entrevista ao GLOBO, o ministro disse que Waller foi demitido porque não conseguiu reduzir a fila do INSS, de 2,7 milhões de requerimentos em março. Contudo, os dois vinham se desentendendo há meses.

Durante a CPI do INSS, Waller se aproximou da cúpula da comissão, defendendo a abrangência das investigações. O presidente do INSS também atuou contra a nomeação de servidores ligados à diretoria anterior para postos de chefia, o que ampliou o desgaste com o ministro. Procurado, Waller não se manifestou.

Desafio da fila

Ana Cristina Silveira assume o comando do INSS com o desafio de reduzir a fila do INSS, um dos principais problemas da Previdência Social, a seis das eleições presidenciais e em meio à queda na aprovação do governo Lula.

Em nota, o ministério destacou o fato de Ana Cristina ser servidora de carreira, tendo exercido a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social, período em que “dobrou a capacidade de análise de recursos”.

Contudo, servidores alertam que a experiência no Conselho de Recursos, que funciona como um tribunal administrativo, não se compara às exigências impostas à presidência do INSS, considerada a maior autarquia da América do Sul.

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Além de gerir uma folha de pagamento de mais 30 milhões de benefícios, analisar cerca de 750 mil novos pedidos por mês, é atribuição do órgão gerenciar sistemas, combater fraudes e manter o funcionamento das agências em todo o país.

Graduada em Direito, Ana Cristina ingressou na carreira em 2003 como analista do seguro social. O único cargo de maior foi a presidência do Conselho de Recursos da Previdência entre abril de 2023 e fevereiro deste ano. Em março, passou a fazer parte da equipe de auxiliares do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, na secretaria-executiva.

Em nota, a assessoria do ministério disse que Ana Cristina é servidora de carreira do INSS há 20 anos, tendo iniciado em agências do órgão no estado de Sergipe e passando pelo nível de gestão ao menos pelos últimos dez anos.

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