Gilson Finkelsztain: quem é o novo presidente do Santander Brasil

Entre bancos globais e a B3, a experiência que Finkelsztain leva ao Santander combina mercado e infraestrutura financeira

Gilson Finkelsztain, dá entrevista exclusiva para o InfoMoney
Gilson Finkelsztein, CEO da B3 (B3SA3) (Foto: InfoMoney / Flavio Santana)

Depois de quase quatro anos no comando do Santander Brasil, Mario Leão deixará a presidência da instituição, abrindo espaço para a chegada de Gilson Finkelsztain ao cargo. O executivo, que atualmente lidera a B3, não é um nome estranho à casa: já teve passagem pelo próprio Santander, em áreas ligadas a mercados e produtos.

O movimento marca uma tentativa do banco de entrar em uma nova fase, com foco em melhorar a execução e dar mais consistência aos resultados, sem necessariamente mudar a direção estratégica. Na avaliação de analistas, o Santander ainda enfrenta desafios para sustentar níveis de rentabilidade e eficiência próximos aos de seus principais concorrentes, o que reforça a leitura de que a escolha recai sobre um perfil voltado à disciplina operacional e à organização da casa.

Quem é Gilson Finkelsztain

Gilson Finkelsztain é engenheiro de formação, com graduação em Engenharia Civil de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ao longo da carreira, também participou de programas de formação executiva no exterior, incluindo o Advanced Management Program (AMP) do INSEAD, uma das principais escolas de negócios da Europa.

Antes de ganhar projeção no comando da B3, construiu sua base profissional no mercado financeiro, iniciando a carreira em grandes instituições globais e passando por diferentes áreas. 

Essa trajetória ajuda a explicar o perfil técnico que marcaria sua carreira: Finkelsztain se especializou em áreas de mercado de capitais e produtos financeiros complexos, com atuação próxima a tesourarias, estruturação e negociação de ativos. A combinação de experiências seria central em sua atuação à frente de empresas de infraestrutura financeira mais tarde.

Trajetória profissional

Em cerca de duas décadas, Gilson Finkelsztain passou por grandes instituições internacionais, como Citibank, J.P. Morgan e Bank of America Merrill Lynch. 

Nesse período, atuou em áreas ligadas a renda fixa, câmbio, commodities, derivativos e relacionamento com clientes institucionais, com foco em atividades mais técnicas, como formação de preços, gestão de risco e estruturação de produtos financeiros.

Entre 2011 e 2013, passou pelo Santander, onde ocupou posições de liderança em áreas de renda fixa, moedas e commodities. Foi nesse período que ele se tornou membro do conselho de administração da Cetip (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados), a maior depositária de títulos privados de renda fixa da América Latina.

Em 2013, deixou o Santander para assumir o comando da Cetip. À frente da companhia, esteve envolvido na operação e no desenvolvimento de sistemas que dão suporte ao funcionamento do mercado financeiro, além de participar do processo que resultou na fusão com a BM&FBovespa, que deu origem à B3.

Fusão e consolidação da B3

Com a fusão entre a Cetip e a BM&FBovespa, concluída em 2017, Gilson Finkelsztain assumiu o comando da B3 já como CEO da nova companhia. A partir daí, conduziu um processo de reorganização e expansão do modelo de negócios, em um momento de mudanças relevantes no mercado de capitais brasileiro.

Ao longo desse período, a B3 ampliou seu escopo de atuação para além da negociação de ações. A companhia avançou em áreas como renda fixa, derivativos, registro e custódia, além de desenvolver frentes ligadas a dados e tecnologia. Em comunicado recente, a própria B3 afirma que passou por uma “transformação profunda em seu modelo de negócios”.

Na prática, esse movimento reduziu a dependência de receitas mais diretamente ligadas ao volume negociado em bolsa, tradicionalmente mais sensível ao ciclo econômico, e abriu espaço para fontes mais diversificadas de receita.

Na oferta de produtos, o período trouxe a expansão de instrumentos acessíveis ao investidor, como ETFs, BDRs e fundos imobiliários, além do fortalecimento de mercados já existentes, como o de derivativos e renda fixa.

Esse reposicionamento ocorreu em paralelo a um cenário mais desafiador para o mercado de ações brasileiro, marcado por anos de baixa atividade em IPOs e menor dinamismo nas listagens. Nesse contexto, a diversificação ajudou a sustentar o crescimento da companhia mesmo fora dos ciclos mais favoráveis da bolsa.

Entre 2017 e 2026, a B3 mais que dobrou sua receita e ampliou a distribuição de resultados aos acionistas, ao mesmo tempo em que diversificou suas fontes de receita.

O que esperar do novo desafio no Santander Brasil

A chegada de Gilson Finkelsztain ao Santander Brasil ocorre em um momento em que o banco busca melhorar a execução e dar mais consistência aos resultados, especialmente após um período de rentabilidade mais volátil.

Na avaliação de analistas, o principal desafio está menos em crescer e mais em sustentar esse crescimento com eficiência. O banco ainda precisa avançar em disciplina operacional e consistência na rentabilidade, sobretudo na comparação com pares como o Itaú Unibanco.

Ao comentar a saída do executivo, a B3 afirmou que sua gestão deixou uma companhia “mais diversificada e resiliente”, destacando também a transformação no modelo de negócios ao longo do período.

Agora, o desafio parece ser o de levar essa experiência para uma operação mais complexa e diretamente exposta ao ciclo de crédito, mantendo o equilíbrio entre crescimento, risco e rentabilidade.