Trump sugere Venezuela como “51º estado” e amplia pressão externa

Falas se somam a investidas sobre Groenlândia, Canadá e Cuba

Marina Verenicz

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As declarações recentes de Donald Trump sobre a Venezuela reforçam uma estratégia mais ampla de pressão internacional adotada pelo governo dos Estados Unidos. Em publicações nas redes sociais, o presidente insinuou a possibilidade de transformar o país sul-americano em um estado estadunidense, comentário feito durante o mundial de beisebol vencido pela equipe venezuelana.

“Uau! A Venezuela derrotou a Itália hoje à noite por 4 a 2 na semifinal do WBC. Eles estão parecendo muito fortes. Coisas boas estão acontecendo com a Venezuela ultimamente! Fico me perguntando do que se trata essa magia. Estado nº 51, alguém?”, escreveu. Após a vitória na final, Trump voltou ao tema com uma mensagem direta: “status de estado”.

As falas ocorrem em um contexto de forte pressão americana sobre a Venezuela. Dois meses antes, uma operação conduzida pelos Estados Unidos resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Desde então, o país passou a ser liderado interinamente por Delcy Rodríguez e enfrenta uma escalada de influência política e institucional de Washington.

Embora feitas em tom aparentemente informal, as declarações se somam a uma sequência de movimentos mais duros da política externa americana para a região. A menção à Venezuela como possível “51º estado” ocorre em um momento em que o país ainda lida com os efeitos da intervenção e com incertezas sobre sua reorganização política.

A retórica também reforça a estratégia de Trump de usar redes sociais para sinalizar posicionamentos geopolíticos, frequentemente misturando comentários casuais com mensagens de impacto diplomático.

Histórico recente de pressões

A Venezuela não é o único alvo de falas desse tipo, embora tenha ganhado centralidade nas últimas semanas. O governo americano já sinalizou interesse em ampliar sua influência sobre outros territórios estratégicos, seja por meio de acordos, pressão econômica ou declarações públicas.

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No caso venezuelano, no entanto, o contexto é mais sensível. A captura de Maduro e a instalação de um governo interino colocaram o país em uma posição de maior vulnerabilidade política, o que torna qualquer sinalização de anexação especialmente delicada no cenário internacional.