Setor hospitalar: queda na demanda e pressão no fluxo de caixa podem impactar 1T26

Dados da ANAHP mostram queda na ocupação de leitos e atraso no recebimento de faturas, cenário que beneficia grandes grupos e alivia pressão sobre planos de saúde

Victória Anhesini

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Freepik/dc studios
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A Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) divulgou na última terça-feira (3) seus dados mensais de janeiro de 2026. Em relatório, os analistas financeiros do Santander afirmaram que os dados fornecem insights interessantes sobre o momento hospitalar atual. 

Segundo os dados da ANAHP, janeiro de 2026 foi um mês ligeiramente negativo em relação à demanda hospitalar, com a taxa de ocupação caindo na comparação anual – e por consequência, ficando abaixo da média histórica do período. Além disso, os números apontam para um início mais fraco para o primeiro trimestre de 2026. 

Porém, os analistas do Santander ressaltam que não se pode tirar conclusões precipitadas baseadas apenas no que aconteceu em janeiro. “O CEO da Rede D’Or (RDOR3) já comentou que tanto janeiro quanto fevereiro mostraram tendências de demanda sólidas para o segmento hospitalar”, diz o relatório. Tais comentários foram feitos durante a teleconferência após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025 da empresa.

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Outro ponto importante mencionado no relatório é a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que viu melhoras, assim como no prazo para quitação de compromissos com fornecedores durante o mês de janeiro. 

Além disso, dentro deste período, os dados da ANAHP apontam uma redução nas glosas (que são os valores recusados pelas operadoras de saúde por erros ou falta de autorização), apesar do tempo médio para o recebimento de faturas tenha se estendido.

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Nesse contexto, os analistas do Santander mantêm a expectativa de que hospitais de pequeno e médio porte poderão enfrentar um ambiente de curto a médio prazo mais desafiador, em linha com os comentários do diretor executivo da ANAHP. 

“Acreditamos que essa dinâmica deve favorecer grupos hospitalares maiores, que operam em um ambiente competitivo mais benigno, com potencial para ganho de participação de mercado”, diz o documento.

Por outro lado, no que tange às operadoras de planos de saúde, os dados preliminares sinalizam um impacto favorável, “pois poderia representar menores pressões no Índice de Sinistralidade”, segundo os especialistas.

Dentro da cobertura do Santander, há uma expectativa que a SulAmérica continue entregando melhoras no índice de sinistralidade nos próximos trimestres, “apoiada pela execução e pela expansão de produtos com coparticipação”. Já sobre a Hapvida (HAPV3), os analistas enxergam um momento de lucros desafiador no curto prazo, com pressões nas margens.

Veja a análise dos dados da ANAHP: