Publicidade
A sensação entre investidores locais mudou — e o Bradesco BBI capturou isso de perto. Após uma rodada de reuniões com gestores brasileiros, o banco voltou mais confiante com o mercado doméstico, destacando que, em momentos de forte volatilidade global, como a registrada após o conflito no Irã desta semana, “a história favorece os corajosos”.
A queda recente de 5% do MSCI Brazil, maior do que a média observada em 25 grandes eventos geopolíticos desde 1990, abriu, segundo a instituição, uma assimetria rara. O Ibovespa caiu 3,28% apenas na terça, a maior baixa do ano, com a aversão a risco desencadeada pela escalada do conflito no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que vinham de um rali sustentado por estrangeiros.
O Brasil, na avaliação do BBI, desponta como um mercado que pode registrar alta. O país combina diversos fatores que o colocam em posição singular: é relativamente protegido dos principais conflitos globais; é beneficiário líquido de preços de petróleo mais altos; possui o carregamento de juros mais elevado do mundo, que sustenta o real; e ainda conta com investidores globais fora de posição, com espaço para aumentar exposição caso o cenário vire a favor.
Fluxos estrangeiros devem ganhar tração
Segundo o banco, os estrangeiros continuam pouco alocados em emergentes, e esse fluxo represado tende a se mover para o Brasil à medida que o ciclo de cortes de juros avança.
Além disso, o custo de capital percebido por investidores internacionais é menor, tornando o valuation atual mais atrativo do que parece.
Continua depois da publicidade
Essa retomada do apetite externo, afirma o relatório, não deve vir apenas por meio dos grandes ETFs (fundos de índice), mas também via gestores ativos e locais, reforçando um movimento de diversificação das alocações.
Investidor local começa a voltar — e esse pode ser o gatilho
O BBI chama atenção para um ponto considerado decisivo: os resgates dos fundos locais estão desacelerando, reduzindo a pressão vendedora que marcou parte de 2025. Esse alívio poderia funcionar como um gatilho de “melt‑up”, quando preços sobem rapidamente por recomposição de portfólios e corrida por performance.
Os gestores brasileiros, de acordo com o banco, contudo, continuam excessivamente defensivos, mesmo com o início do ciclo de cortes de juros, melhora gradual no humor político e expectativa de novos fluxos.
Nesse contexto, o BBI amplia sua lista de chances de alta. Entre os alvos preferidos estão: ações sensíveis a juros, historicamente penalizadas; estatais (SoEs), que possuem catalisadores próximos; fintechs “órfãs de ETF”, que sofreram com a saída de capital passivo e small e mid caps, negociando com descontos relevantes.
Preço volta a falar mais alto
Continua depois da publicidade
Apesar da proximidade eleitoral, que gera volatilidade, o BBI afirma que preços mais fortes empurraram preocupações políticas para segundo plano, especialmente com a disputa presidencial se estreitando e reduzindo cenários extremos. Para o banco, o mercado está novamente deixando que “os preços conduzam a narrativa”.
Para o BBI, muitos gestores demonstraram apetite elevado por posições internacionais, mas enfrentam frustrações: a Argentina, apesar da recomendação de overweight (exposição acima da média) do banco, sofre com baixa liquidez; o Chile, também overweight, segue com valuations atrativos, porém com pouca convicção em catalisadores e o México continua em compasso de espera, com eventos estruturais demorando a se materializar.
Desempenho do mercado após eventos geopolíticos e outros eventos globais importantes:
Continua depois da publicidade
| Evento | Data | Brasil 1M (MXBR) | Brasil 3M (MXBR) | EUA 1M (S&P 500) | EUA 3M (S&P 500) |
|---|---|---|---|---|---|
| Invasão do Kuwait | 02/08/1990 | -21,1% | -51,3% | -8,2% | -13,5% |
| Quebra do Barings Bank | 16/09/1992 | -4,4% | 17,4% | 3,0% | 3,0% |
| Atentado WTC (1º) | 26/02/1993 | 2,8% | 15,0% | 1,7% | 2,0% |
| Crise Financeira Asiática | 01/08/1997 | -26,2% | -23,5% | -3,6% | 3,9% |
| Ataque ao USS Cole no Iêmen | 12/10/2000 | -9,2% | 1,4% | -2,7% | -0,9% |
| Atentados de 11 de Setembro | 11/09/2001 | -3,6% | -8,6% | -3,1% | 1,9% |
| Guerra do Iraque | 20/03/2003 | 16,1% | 43,2% | 0,8% | 8,7% |
| Atentados de Madri | 11/03/2004 | -7,8% | -12,0% | 3,5% | 2,7% |
| Atentados de Londres | 07/07/2005 | 8,9% | 4,5% | 3,3% | 1,6% |
| Quebra do Bear Stearns | 14/03/2008 | 6,4% | 12,4% | 3,6% | 5,6% |
| Quebra do Lehman Brothers | 15/09/2008 | -38,8% | -39,3% | -16,3% | -26,2% |
| Atentado na Maratona de Boston | 15/04/2013 | 2,1% | -17,7% | 6,5% | 4,3% |
| Anexação da Crimeia (Rússia) | 28/02/2014 | 5,0% | 16,9% | 1,0% | 4,2% |
| BREXIT | 24/06/2016 | 15,9% | 21,2% | 6,5% | 6,2% |
| Bombardeio à Síria | 07/04/2017 | 2,7% | 10,3% | 1,1% | 3,1% |
| Crise de Mísseis com a Coreia do Norte | 28/07/2017 | 6,7% | 10,3% | -1,1% | 3,6% |
| Ataque de drone à Saudi Aramco | 14/09/2019 | -0,4% | 6,7% | 1,7% | 5,6% |
| Morte de Soleimani | 03/01/2020 | -6,8% | -54,4% | -0,1% | -23,1% |
| Retirada dos EUA do Afeganistão | 30/08/2021 | -14,3% | -23,4% | 2,8% | 4,8% |
| Invasão da Ucrânia pela Rússia | 24/02/2022 | 15,2% | 17,7% | 5,9% | -7,1% |
| Ataques do Hamas a Israel | 07/10/2023 | 8,6% | 12,4% | -1,6% | 2,7% |
| Ataque de Israel ao Irã (abril 2024) | 13/04/2024 | 1,4% | -5,0% | 0,6% | 3,5% |
| Tarifas do “US Liberation Day” | 02/04/2025 | 1,9% | 10,5% | -0,5% | 1,0% |
| Bombas dos EUA no Irã Nuclear | 22/06/2025 | -1,9% | 10,9% | 1,0% | 7,7% |
| EUA removem Maduro | 13/07/2026 | 17,9% | ? | 0,9% | ? |
| Ataques dos EUA ao Irã (até agora) | 31/07/2026 | -5,3% | ? | -1,5% | ? |
Médias (desde 1990)
- Brasil (MXBR): 1M = -0,5% | 3M = -0,7%
- EUA (S&P 500): 1M = 0,5% | 3M = 1,4%
Medianas
- Brasil (MXBR): 1M = 2,1% | 3M = 8,4%
- EUA (S&P 500): 1M = 1,7% | 3M = 2,9%
