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SÃO PAULO – Uma comissão geral de autoridades nacionais se reuniu para discutir os impactos da crise financeira internacional no Brasil e a medida provisória do Banco Central para garantir liquidez aos pequenos e médios bancos brasileiros. Henrique Meirelles, presidente do Bacen, e Guido Mantega, ministro da Fazenda, se destacaram entre os presentes.
Meirelles explicou que longos períodos de estabilidade nos EUA fizeram com que houvesse aumentos progressivos dos riscos praticados no mercado financeiro, o que impulsionou o início da crise. A alavancagem levou ao aumento continuado do preço dos imóveis, o que permitiu aos proprietários tomar ainda mais empréstimos.
Para ele, a crise se agravou quando o banco Lehman Brothers pediu concordata. O índice do risco de crédito dos bancos aumentou, fazendo com que passassem a pagar muito mais para captar dinheiro. Em conseqüência, outros setores econômicos foram prejudicados, como o varejista.
Gravidade da crise
Guido Mantega não mediu palavras para falar da crise que considera a mais forte que sua geração vivenciou. Se depender de suas expectativas, a crise ainda tirará o sono de muita gente.
“Do ponto de vista da repercussão, intensidade e impacto econômico, só há comparação com a crise de 1929”, ressaltou Mantega. Segundo o ministro, as crises ocorridas na década de 90, entre elas a russa e a asiática, foram bem mais amenas, pois eram apenas regionais.
O presidente do Bacen reiterou o tom preocupado de Mantega e chamou atenção para o fato de que as perdas anteriores foram em crises bancárias, enquanto agora, a crise é generalizada.
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Para Meirelles, os países em desenvolvimento estão em melhor condição para enfrentar a crise financeira internacional do que os países desenvolvidos, por possuírem crescimento mais veloz e maior potencial de expansão do mercado interno. Segundo ele, as instituições financeiras dessas nações possuem menor alavancagem.
Vantagem brasileira
Henrique Meirelles demonstrou otimismo em relação ao desempenho brasileiro frente à crise. O destaque vai para o Banco Central, que comprou dólares durante o enfraquecimento da divisa norte-americana em 2007, reduzindo a dívida pública e aumentando as reservas internacionais do País, hoje em um total de US$ 203,9 bilhões.
Tais recursos, segundo Meirelles, estão sendo direcionados em benefício dos exportadores e dos bancos menores. “Diferentemente da maioria dos países do mundo, no Brasil os bancos têm reserva de liquidez mandatória, que são os depósitos compulsórios, os quais estão sendo liberados com escala de prioridade para os bancos menores”, esclareceu.
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Porém, em função da escassez de liquidez e de crédito no mercado internacional, Mantega afirmou que as expectativas de crescimento para 2009 terão de ser revisadas. “Para 2008, podemos manter as mesmas projeções, já que a economia cresceu bastante no primeiro semestre. Devemos fechar o ano com crescimento em torno de 5%”, sustentou.
Lula
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estava relutando em admitir os impactos da crise financeira no Brasil. Porém, nesta terça-feira, afirmou que há uma possibilidade de reduzir orçamentos, caso a economia brasileira seja afetada.
Lula esclareceu que não pode assumir o compromisso de manter a verba destinada a cada ministério da maneira como está, caso a crise abale o País. “Se a União arrecada menos, vai ter menos dinheiro para todo mundo”, destacou.
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O tom otimista recorrente em seus discursos, contudo, prevaleceu. Segundo ele, é essencial manter os pensamentos positivos e trabalhar para evitar um agravamento da situação atual.
Em sua avaliação, um importante instrumento para que o Brasil se proteja dos impactos da crise é o potencial do mercado interno. “Por isso que não quero diminuir crédito e tenho dito que ninguém pare de comprar sua televisão, sua geladeira. Se não tiver as pessoas comprando, não tem fábricas produzindo, comércio vendendo e, aí, entramos mesmo em recessão”, explicou.