“Ficar longe de problemas”: gestores revelam mantras e onde investir no ano eleitoral

Vencedores da segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney avaliaram o cenário e compartilharam experiência sobre como investir em anos de eleição

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A discussão sobre o período eleitoral impõe ao investidor brasileiro mais um desafio na manutenção e construção de patrimônio em 2026. Diante do que classificam como ruído político, gestores reforçam a necessidade de cautela na alocação de recursos e defendem estratégias menos dependentes das previsões. A leitura predominante é de que as eleições tendem a aumentar a volatilidade, exigindo portfólios mais resilientes e disciplinados.

Para Ian Cao, sócio-fundador da Gama Investimentos, gestora parceira da Oaktree no Brasil, o desempenho de longo prazo está mais ligado à qualidade da análise e à diversificação do que a apostas sobre cenários políticos.

“O que entrega performance no longo prazo depende mais dessa resiliência e foco em análise de crédito do que em previsões para o futuro”, afirmou Cao, durante cerimônia da segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney, que reconheceu os destaques do mercado de fundos de investimentos em 16 categorias.

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Onde Investir no 2º semestre

O executivo cita a filosofia do fundador da Oaktree, Howard Marks, ao questionar a capacidade de se gerar retornos consistentes a partir de acertos macroeconômicos. “Você tem um número gigantesco de variáveis, não dá para saber como o mercado vai reagir”, diz.

Segundo ele, a principal diretriz da casa é manter-se “longe de problemas”, com diligência rigorosa na seleção de ativos.

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Volatilidade como dado do jogo eleitoral

Para Bernardo Feijó, sócio da Kapitalo Investimentos, o cenário global ainda oferece suporte aos ativos de risco, com crescimento econômico relativamente saudável e expectativa de cortes de juros nas principais economias. Ainda assim, o ano eleitoral no Brasil impõe uma postura mais equilibrada. “É um cenário que só deve se resolver perto do fim. Até lá, a volatilidade faz parte do jogo”, diz.

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Segundo Feijó, parte relevante do cenário de afrouxamento monetário já está refletida nos preços, o que levou a gestora a reduzir algumas exposições. “Seguimos com posições ligadas a juros em diversas geografias, mas de forma mais balanceada”, afirma, destacando uma atuação mais tática nos multimercados.

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Apesar das diferentes trajetórias possíveis a depender do resultado das urnas, o gestor afirma que isso não se traduz, neste momento, em apostas direcionais. “Hoje, não temos nenhuma assertividade buscando o portfólio. Estamos com o pé no chão”, pontua. A prioridade, segundo ele, é manter uma carteira capaz de atravessar múltiplos cenários.

Visão semelhante é compartilhada por César Paiva, sócio-fundador da Real Investor. Para ele, o contexto eleitoral reforça a importância de equilíbrio. “É uma eleição muito dividida, com projetos bastante diferentes. A gente prefere ter um posicionamento mais equilibrado”, afirma, combinando empresas domésticas com exportadoras e ativos defensivos.

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Crédito e governança ganham protagonismo

No segmento de crédito, a leitura é de que o calendário eleitoral exige ainda mais disciplina. Aroldo Medeiros, CEO da Artesanal Investimentos, reconhece que a incerteza tende a aumentar a volatilidade. “É natural que um ano eleitoral traga mais incerteza. Isso exige ainda mais disciplina na seleção das teses e proximidade com quem origina o crédito”, explica.

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Segundo Medeiros, a estratégia da gestora segue baseada em análise profunda e relacionamento direto com originadores. “A gente gosta de estar na ponta do crédito, entender o que está acontecendo nas empresas e com as pessoas físicas. Isso faz diferença principalmente em momentos de maior instabilidade”, reflete.

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Na Bradesco Asset, o foco para 2026 combina maior exposição ao risco com rigor processual. Bruno Funchal, CEO da casa, afirma que a gestora busca capturar oportunidades em renda variável e crédito estruturado, sem abrir mão da governança. “Não é conservadorismo excessivo, é rigor de processo”, diz, destacando mid-yield e high-yield como classes com maior potencial no ciclo de queda de juros.

Funchal também ressalta a importância da diversificação internacional, especialmente em um momento de apreciação do real. “O Brasil representa apenas 1% do mercado de capitais global”, afirma, defendendo uma carteira mais globalizada como forma de mitigar riscos domésticos e eleitorais.

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Visão estrutural e longo prazo acima do ruído político

Mesmo diante do ruído político, algumas casas reforçam uma leitura estruturalmente construtiva para o Brasil. Na Kinea Investimentos, a estratégia permanece inalterada. “Estamos ‘all in’ no Brasil, independentemente do governo”, afirma Marcio Verri, CEO e sócio-fundador da gestora, destacando o foco em produtos de longo prazo e aposentadoria.

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Segundo Verri, o ambiente político gera ruído, mas não elimina oportunidades. “O brasileiro tem despesas em reais e precisa investir em ativos que façam sentido para essa realidade”, diz, citando o prêmio elevado de juros como atrativo, especialmente em estratégias de infraestrutura.

No agronegócio, Guilherme Grahl, sócio da Valora Investimentos, defende uma postura racional e apartada de preferências políticas. “O gestor nunca pode ser torcedor. Tem que ser racional”, afirma. Para ele, o agro brasileiro apresenta resiliência estrutural e menor sensibilidade a choques internos por ser fortemente exportador.

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Ricardo Espíndola, head de crédito da Porto Asset, resume o desafio do ano eleitoral como uma “lição de humildade”. “Eleição é sempre uma lição de humildade. Já vimos muitas eleições no Brasil em que o mercado foi para um lado e o resultado surpreendeu para o outro”, afirma. A resposta, segundo ele, está na diversificação ampla e no foco no longo prazo: “Você tem que jogar o jogo do longo prazo”.