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SÃO PAULO – “Um pedido de moratória não é impossível caso o mercado continue a se deteriorar”. Assim afirmou a Merrill Lynch acerca da General Motors, em relatório divulgado nesta quarta-feira (2). A reação dos investidores ao evento colocou os papéis da empresa em seu menor nível em mais de 54 anos em Wall Street.
Segundo o banco, a companhia deve procurar captar cerca de US$ 15 bilhões junto ao mercado, a fim de enfrentar a contínua deterioração das vendas de automóveis nos EUA. A estimativa supera em larga escala o anteriormente previsto pelos analistas, que girava em torno da necessidade de captação de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões.
Paralelamente, as projeções da Merrill Lynch também se mostram mais pessimistas do que a média do mercado: enquanto os analistas do Bank of America vêem uma possível operação de US$ 8 bilhões, a equipe do JPMorgan estima que a GM deveria levantar US$ 10 bilhões para restaurar seu caixa.
Dando seqüência ao pessimismo predominante em todo o relatório, a Merrill Lynch reduziu a recomendação aos papéis da GM de “compra” para “venda”. O preço-alvo para o final do ano foi drasticamente reduzido em 75%, passando de US$ 28,00 para US$ 7,00. No mesmo sentido, o Citigroup cortou sua projeção às ações de US$ 21,00 para US$ 14,00.
Setor em crise
A revisão das estimativas reflete projeções mais pessimistas acerca do mercado automobilístico norte-americano, que vem sendo penalizado pelos padrões mais exigentes de concessão de crédito e principalmente pela disparada nos preços dos combustíveis, em razão da alta do preço do barril de petróleo.
Na última terça-feira, foram divulgados os números anualizados de vendas de automóveis nos EUA em junho, revelando um desempenho negativo por parte da maioria das grandes montadoras. A Chrysler liderou as perdas, com um recuo de 36% na demanda por seus carros. A Ford também viu mais de um terço de suas vendas apagadas entre junho de 2007 e deste ano.
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Por sua vez, embora também tenha apresentado desempenho negativo, os números apresentados pela GM vieram levemente superiores ao esperado pelos analistas, uma vez que suas vendas foram decrescidas em 18,5%.
Mas a crise está longe de terminar. A Merrill Lynch espera uma “continuidade da dramática queda das vendas” do setor por todo o ano de 2009.
Ações penalizadas
Frente a projeções tão pessimistas, nada mais natural que os papéis da GM fossem duramente penalizados no pregão desta quarta-feira, como, de fato, foram. As ações da montadora fecharam a US$ 9,98, forte baixa histórica e uma desvalorização de 15,06% frente à última sessão.