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O ano de 2025 foi marcado por fortes ganhos para os ativos de risco no Brasil, impulsionados principalmente pela entrada de investidores estrangeiros e pelo enfraquecimento do dólar. No entanto, especialistas alertam que esses fatores globais não refletem necessariamente uma melhora estrutural na economia local.
“Um dos maiores erros que você pode cometer ao tentar interpretar 2025 é achar que o mercado está nos recompensando por políticas econômicas corretas. Não é isso. O real se fortaleceu tanto quanto o peso mexicano, o peso colombiano ou o euro. É um movimento de dólar fraco”, disse Artur Wichmann, CIO da XP Investimentos.
Segundo Wichmann, 2026 deve ser diferente.
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“No início, ainda podemos ter o global influenciando preços mais do que o local, mas a partir de março ou abril, quando as candidaturas presidenciais estiverem definidas, o mercado vai reagir a pesquisas e pronunciamentos sobre política fiscal. A grande preocupação é justamente o descontrole fiscal.”
Ele participou do podcast Outliers InfoMoney, apresentado por Clara Sodré e Fabiano Cintra e, ali, debateu sobre os impactos do cenário político, fiscal e monetário nos investimentos brasileiros e forneceu recomendações para os próximos meses.
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Eleições e volatilidade: como o mercado reage
Wichmann destaca que anos eleitorais no Brasil naturalmente aumentam a volatilidade do mercado. “Incerteza traz variação de preço e gera ansiedade no investidor. Muitas vezes, sem saber o que vai acontecer, o investidor faz movimentos abruptos de portfólio”, explicou.
O especialista alerta para as armadilhas comportamentais: “O cérebro humano tende a focar no negativo, perder a memória de experiências passadas e se tornar suscetível ao efeito manada. Isso significa que decisões extremas baseadas em medo ou incerteza política quase nunca dão um bom resultado”, disse.
Para evitar esses erros, Wichmann recomenda disciplina e estratégias de finanças comportamentais, isolando decisões financeiras da carga emocional. “Emoções extremas levam a decisões extremas, e isso não ajuda na construção de portfólio”, completou.
Ele também relacionou a volatilidade ao mercado de crédito: “Os spreads estão apertados e a seletividade é essencial. Não se pode olhar apenas para o regime tributário, o mais importante é a qualidade do ativo”, disse, destacando a importância de avaliar primeiro o risco do investimento e depois considerar impostos.
Juros e impacto na renda fixa
No campo da política monetária, 2026 marca o início do ciclo de corte de juros no Brasil. “O Banco Central fez um bom trabalho, manteve a política monetária restritiva para quebrar a inércia da inflação. O início do corte de juros será no primeiro trimestre, com expectativa de redução da Selic para abaixo de 13% (ao longo do ciclo)”, explicou Wichmann.
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Ele reforçou que o corte de juros tende a valorizar diversos ativos. “Qualquer diminuição na taxa de desconto aumenta o valor presente de fluxos futuros. A bolsa, imóveis e títulos prefixados são sensíveis a isso. Mas é importante analisar o que já está precificado pelo mercado”, alertou.
No caso da renda variável, Wichmann projeta oportunidades. “Empresas da economia local devem se beneficiar da mudança no custo de capital, especialmente aquelas fora do setor de commodities, embora este também tenha mostrado valorização no início de 2026”, disse.
Já a alocação em crédito privado deve ser feita com cautela. “Diminuímos a disposição para crédito porque o retorno esperado está menor e os spreads estão apertados. É o momento de ser seletivo e não assumir retornos passados como referência”, completou.
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