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Em relatório, o Santander destacou uma lista de ações fora do consenso que podem representar boas oportunidades de mercado, enquanto fez um alerta para “complacência” para o Banco do Brasil (BBAS3).
O banco classifica as ações “fora de consenso” em três categorias: i) empresas que investidores têm pouca exposição, ii) histórias de fluxo de caixa mal precificadas e iii) “empresas pouco acompanhadas”.
Na categoria i), os analistas do Santander destacam três ações: Orizon (ORVR3), Suzano (SUZB3) e Totvs (TOTS3). As explicações seguem abaixo:
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- Totvs: para o banco, a execução da companhia segue melhor que a percepção do mercado. Muitos ainda veem o papel como caro e o negócio maduro, mas a Totvs mantém crescimento de receita de dois dígitos, expansão de margens e elevada eficiência de reinvestimento, com retorno sobre capital incremental acima de 30%. O Santander considera o valuation ainda razoável frente à visibilidade de crescimento e espera que a conclusão da compra da Linx possa destravar valor adicional.
- Orizon: o banco vê a empresa como combinação rara de crescimento e fluxo de caixa defensivo. A compra da Vital é considerada transformacional, tornando a companhia uma das principais consolidadoras em tratamento privado de resíduos, com maior exposição a gestão integrada (margens mais altas) e avanço em biogás, biometano e créditos de carbono.
- Suzano: o Santander avalia que o mercado continua excessivamente pessimista com celulose, preso à narrativa de maior capacidade na China e excesso de oferta. O banco ressalta restrições estruturais de madeira, mercado de fibra curta apertado e preços abaixo do custo marginal, o que deve forçar a saída de produtores de maior custo. Com sucessivos anúncios de alta de preços e pouca reação da ação, o diagnóstico é de expectativas conservadoras demais.
Já sobre o ponto ii), o Santander destaca duas ações: Lojas Renner (LREN3) e Marcopolo (POMO4).
- Lojas Renner: na visão do banco, o mercado embute pouco crescimento de vendas e margens fracas, ignorando a capacidade de retorno ao acionista via dividendos e recompra, sustentada por forte geração de caixa e posição de caixa líquido. O papel segue com posicionamento leve e é tradicionalmente uma das principais portas de entrada de investidores estrangeiros em consumo discricionário, o que coloca a Renner em boa posição para um ciclo de queda de juros.
- Marcopolo: tratada como “ativo de alta qualidade a preço barato”, deve gerar rendimento de fluxo de caixa livre médio de cerca de 13% entre 2026 e 2028, segundo o Santander. A avaliação é de que os fundamentos foram ofuscados por realização de lucros após a forte alta dos últimos anos. A expectativa de melhora da demanda com juros menores e um dividend yield estimado em 8,4% em 2026 reforçam a tese.
Já no grupo iii), de “empresas pouco acompanhadas”, a carteira é formada por Brava (BRAV3), Cogna (COGN3), IRB (IRBR3), Randon (RAPT4) e Ser Educacional (SEER3).
- Brava: ainda carregando dúvidas sobre execução, mas com potencial de forte desalavancagem até 2026, apoiada em cerca de US$ 1 bilhão de caixa operacional. O Santander projeta dívida líquida/Ebitda de cerca de 1,8 vez no fim de 2026, o que poderia abrir espaço para recompra de ações e até venda de ativos como catalisadores.
- Cogna: depois de anos de frustrações, o banco vê o turnaround entregue, com portfólio diversificado entre ensino superior (Kroton) e básico (Vasta, Saber).
- IRB: mesmo com anos de reestruturação, o papel ainda carrega o estigma de 2020 por conta das fraudes na companhia, avalia o banco. O Santander aponta melhora relevante de governança e políticas mais conservadoras, além do fim dos prejuízos fiscais em 2025 e possível retomada de dividendos em 2026, reforçando a normalização do balanço.
- Randon: considerada deep value, negocia a valor implícito negativo se desconsiderada a Fras‑le. Apesar da incerteza no setor de implementos, o banco vê impacto positivo de cortes de custos (R$ 100 milhões/ano) e projeta rendimento de fluxo de caixa livre médio de 21% em 2026–27.
- Ser Educacional: small cap de baixa liquidez, mas com turnaround concluído, segundo o Santander. A tese se apoia em crescimento de lucros, forte FCF (fluxo de caixa livre), dividend yield de 8% em 2026 e P/L (preço sobre lucro) ajustado de apenas 5x, com baixa alavancagem (0,8–1,0x dívida líquida/Ebitda).
Cautela com BB
Por fim, o Santander fez um alerta sobre “complacência” com o Banco do Brasil (BBAS3), o único que pertence a esse grupo.
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Embora o papel pareça barato, o Santander argumenta que o desconto do BBAS3 é em grande parte justificado por: alta de inadimplência no agronegócio, provisões mais pesadas e dependência maior de ganhos de tesouraria.
Com redução do payout (pagamento de dividendo em relação ao lucro), o dividend yield deixou de ser tão atrativo. Para o banco, a tese de BBAS3 passou a depender excessivamente de uma leitura eleitoral, vista como argumento frágil diante dos desafios operacionais e das limitações impostas pelo controle estatal.
