Novo ministro tem desafio de avançar PEC da Segurança e criar vitrine para reeleição

Escolhido terá que dialogar com parlamentares para texto não ser desfigurado

Agência O Globo

(Valter Campanato/Agência Brasil)
(Valter Campanato/Agência Brasil)

Publicidade

Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suceder Ricardo Lewandowski, Wellington César Lima e Silva chega ao Ministério da Justiça com o desafio de lidar com a área mais sensível do governo no ano em que o petista buscará seu quarto mandato. O novo ministro enfrentará barreiras em série que vão das dificuldades de aprovar a PEC da Segurança no Congresso, à relação tensa da gestão federal com governadores de direita e a complexidade de dar protagonismo a um tema no qual o governo Lula ainda patina para encaixar seu discurso.

Uma das principais demandas à mesa do novo ministro será costurar caminhos parar garantir a aprovação da PEC que dá mais poder ao governo federal na gestão da segurança pública. No Congresso desde abril do ano passado, o texto sofreu mudanças do relator, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), que desagradam o governo e põe em risco a própria continuidade da tramitação.

Caberá a Wellington capitanear a articulação em busca de um consenso, o que demandará necessariamente um movimento de aproximação junto à oposição. Outro ponto de tensão está sobre o PL Antifacção. O texto voltou a Câmara após ser aprovado no Senado com alterações significativas em relação ao conteúdo original e acirrou ânimos na relação entre governo e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Continua depois da publicidade

Dentro do processo, Wellington precisará buscar formas de se aproximar de governadores ou ao menos diluir resistências dos chefes de executivos estaduais que temem perder poder sobre a segurança de seus estados se a PEC for aprovada.

O novo ministro também será cobrado a apresentar resultados concretos na área da segurança pública durante ano eleitoral. O tema deve ser usado pela oposição como uma das principais fontes de desgaste para Lula. Internamente, não há consenso sobre qual melhor tom a adotar na gestão e o nível em que entrará no assunto durante a disputa eleitoral. Lula, no entanto, está convencido de que precisará mostrar feitos da sua gestão nesta área para convencer eleitores indecisos e que sofrem com sensação de insegurança.

Wellington precisará ainda superar as tensões entre Ministério da Justiça e o Palácio do Planalto que marcaram a gestão de Lewandowski no ministério e foram acentuadas com a demora da tramitação da PEC da Segurança na Casa Civil. O novo ministro, no entanto, chega com uma vantagem em relação ao seu antecessor por já ter trabalhado com Rui Costa, — de quem Lewandowski não era próximo —, no período em que foi Secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ), de janeiro de 2023 a agosto de 2024. Além de já ter sido chefiado pelo ministro da Casa Civil, Wellington chega ao comando da Justiça ungido pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), um dos aliados mais próximos a Lula.

Embora não tenha a estatura política Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Wellington tem simpatia e confiança de Lula por ter “cumprido missão” no cargo de Advogado-Geral da Petrobras. Foi a solução encontrada por Lula para não deixar a pasta acéfala após ser surpreendido com a saída abrupta de Lewandowski.

Em agosto de 2024, Wellington deixou a SAJ, no Palácio do Planalto, e foi para o Rio de Janeiro assumir um dos cargos mais estratégicos da estatal no início da gestão de Magda Chambriard. Wellington foi escalado para trabalhar junto a Magda e evitar qualquer aresta jurídica na estatal no qual o comando desperta atenção permanente de Lula. Na época, o Planalto avaliava que Magda precisava ter um nome de sua total confiança nessa área para evitar novos desgastes como o gerado com a demissão de Jean Paul Prates. A gestão de Magda é elogiada internamente pelos nomes mais próximos a Lula.