Cade investiga Meta por suposto abuso no WhatsApp e suspende regras para IA

Órgão antitruste vê indícios de conduta anticoncorrencial nos novos termos do WhatsApp Business para ferramentas de IA; plataforma diz que acusação é “fundamentalmente equivocada”

Reuters

 Adolescentes posam para uma foto segurando smartphones em frente ao logo do WhatsApp nesta ilustração feita em 11 de setembro de 2025. REUTERS/Dado Ruvic
Adolescentes posam para uma foto segurando smartphones em frente ao logo do WhatsApp nesta ilustração feita em 11 de setembro de 2025. REUTERS/Dado Ruvic

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta segunda-feira que abriu um inquérito administrativo contra empresas do grupo Meta para apurar suspeitas de abuso de posição dominante.

Segundo comunicado publicado pelo órgão, investigações mostraram possíveis condutas anticoncorrenciais de natureza excludente decorrentes da aplicação dos novos termos do WhatsApp (“WhatsApp Business Solution Terms”) impostos pela Meta para regular o acesso e oferecimento, por provedores de ferramentas de inteligência artificial, de suas tecnologias para os usuários do aplicativo.

Diante disso, a Superintendência-Geral do Cade determinou medida preventiva suspendendo a aplicação dos novos termos “até que o Cade possa avaliar corretamente todos os indícios de infração à ordem econômica identificados”, disse o comunicado.

Após o anúncio do Cade, um porta-voz do WhatsApp afirmou que as alegações “são fundamentalmente equivocadas”, argumentando que o surgimento de chatbots de IA na plataforma do WhatsApp Business sobrecarrega seus sistemas, que não foram projetados para esse tipo de suporte.

“Essa lógica parte do pressuposto de que o WhatsApp seria, de alguma forma, uma loja de aplicativos. O canal adequado para a entrada dessas empresas de IA no mercado são as próprias lojas de aplicativos, seus websites e parcerias na indústria, e não a plataforma do WhatsApp Business”, disse o porta-voz.