Quem é o juiz de 92 anos que vai conduzir o caso contra Maduro nos EUA

Responsável por casos emblemáticos, juiz federal conduzirá audiência contra ex-presidente venezuelano por narcoterrorismo e corrupção

Caio César

O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, chega ao heliporto do centro de Manhattan, enquanto se dirige ao Tribunal Federal Daniel Patrick em Manhattan para sua primeira audiência, onde enfrentará acusações federais dos EUA, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026. REUTERS/Eduardo Munoz
O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, chega ao heliporto do centro de Manhattan, enquanto se dirige ao Tribunal Federal Daniel Patrick em Manhattan para sua primeira audiência, onde enfrentará acusações federais dos EUA, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026. REUTERS/Eduardo Munoz

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Aos 92 anos, o juiz federal Alvin K. Hellerstein julgará o caso de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela capturado pelos Estados Unidos no último sábado (3).

Nascido em 1933, Alvin Hellerstein iniciou a carreira como advogado do Exército dos Estados Unidos e, posteriormente, atuou no setor privado.

Em maio de 1998, foi indicado e confirmado pelo presidente Bill Clinton como juiz federal no Distrito Sul de Nova York. Desde 2011, é juiz sênior no mesmo distrito e já presidiu casos importantes nos Estados Unidos, como os ataques terroristas de 11 de setembro.

A audiência de Maduro ocorrerá ainda nesta segunda-feira (5), quando ele e a primeira-dama, Cilia Flores, serão julgados por suposta conspiração ao narcoterrorismo e envolvimento com o cartel Los Soles.

Na acusação, o Departamento de Justiça americano destaca que Maduro e seus aliados transformaram instituições do governo venezuelano em focos de corrupção que alimentam o tráfico internacional de drogas em benefício próprio.

Em 2014, Hellerstein condenou o ex-general do Exército venezuelano Cliver Antonio Alcalá Cordones a 21 anos e 6 meses de prisão por apoio ao narcoterrorismo.

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Na época, o general foi acusado de ser um dos gestores do cartel Los Soles, que os EUA acusam Maduro de chefiar.

Embora a expectativa seja que Hellerstein mantenha a mesma postura condenatória contra Maduro, é difícil prever o resultado do julgamento. É a primeira vez na história que um presidente é julgado por outro país por crimes ligados ao tráfico de drogas.

Espera-se que os advogados de Maduro utilizem justamente sua posição como chefe de Estado para alegar que o presidente não pode ser processado por atos praticados durante o mandato em um país estrangeiro.

Trajetória do magistrado

Além do emblemático caso envolvendo os atentados terroristas de 11 de setembro, Hellerstein lidou, ao longo da carreira, com diversos casos relacionados à segurança nacional, disputas financeiras de grande porte e processos civis de repercussão nacional, como o caso da atriz pornô Stormy Daniels, que acusava Trump de suborno em troca de seu silêncio.

Entre os casos mais conhecidos julgados por ele estão o processo por assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein e o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump.

No último ano, Hellerstein também assinou decisões que contrariaram a atuação política do último mandato de Donald Trump.

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As decisões vão desde sentenças que bloquearam a deportação de imigrantes nos Estados Unidos até a recusa de recursos em julgamentos envolvendo Trump e alegações de falsificação de registros comerciais para encobrir pagamentos feitos à atriz no caso Stormy.