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Segundo o Ministério da Saúde, o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) recebeu a notificação de quase 60 casos suspeitos de intoxicação por metanol em São Paulo, Pernambuco e no Distrito Federal. Além disso, foi confirmado um óbito, no estado paulista, e outros sete são investigados.
Os casos são ligados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol por ele ser um álcool mais barato que o etanol. A substância, no entanto, não é segura para o consumo humano, devendo ser usada somente em aplicações industriais, como solventes, combustíveis e outros produtos químicos.
Isso porque, ao chegar no fígado, o metanol é quebrado em formaldeído e, depois, em ácido fórmico, que é um subproduto altamente tóxico para o organismo. Esse composto começa a provocar danos inicialmente no trato intestinal e no sistema nervoso central, mas rapidamente começa a atacar uma parte importante da visão.
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“O ácido fórmico tem uma toxicidade seletiva pelo nervo óptico, por isso pode causar a cegueira. Um dos sintomas característicos da intoxicação é a perda gradual da visão, começando a ficar borrada e brilhante, até a cegueira completa”, diz Diego Rissi, perito legista e toxicologista na Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro e doutorando em Saúde Pública na Fiocruz.
O nervo óptico funciona como um cabo que fica na parte posterior de cada olho e conecta a retina ao cérebro. Ele transmite os sinais obtidos pelos olhos para o sistema nervoso, ou seja, é essencial para a capacidade de enxergar. Os danos causados no nervo pela intoxicação por metanol levam a um quadro chamado de neuropatia óptica induzida por metanol.
No entanto, todas as alternativas de transplante ocular disponíveis hoje são restritas a diferentes partes da córnea, segundo a Academia Americana de Oftalmologia. A córnea é uma estrutura fina e transparente localizada na frente do olho que ajuda a focar a luz e a tornar as imagens nítidas. Para o nervo óptico, por outro lado, não existem opções de transplante ou de técnicas capazes de regenerá-lo.
Um dos principais mecanismos que fazem com que o ácido fórmico provoque os danos é a ligação a uma enzima chamada citocromo c oxidase dentro das células, bloqueando a sua ação de fornecer energia a elas. Dessa forma, o ácido induz perda das funções metabólicas das células, que acabam morrendo.
Além disso, o composto gera estresse oxidativo e provoca um desequilíbrio grave do ph do sangue, tornando-o mais ácido e impróprio para reações químicas essenciais do corpo humano. Dessa forma, provoca a destruição total do nervo óptico.
Por isso, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP), os sintomas da intoxicação entre 6 horas e 24 horas do consumo podem envolver visão turva ou embaçada, fotofobia, pupilas dilatadas e perda da visão das cores.
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Um estudo publicado na revista científica Archives of Toxicology aponta que entre 30% e 40% dos sobreviventes de intoxicações graves evoluem para algum grau de perda de visão, e muitos ficam com cegueira permanente. As autoridades de saúde estimam que apenas 10 ml já é suficiente para causar cegueira, e 30 ml é considerada a dose mínima fatal para um adulto.