Tarifaço de Trump leva governo Lula a planejar uso militar para compras emergenciais

Plano busca abrir mercado interno para castanhas, mel e suco de laranja

Marina Verenicz

Forças Armadas (Foto: Divulgação/Exército)
Forças Armadas (Foto: Divulgação/Exército)

Publicidade

O governo federal estuda um acordo com o Ministério da Defesa para que Exército, Marinha e Aeronáutica passem a realizar compras emergenciais de alimentos da agricultura familiar. A informação é da Folha de S. Paulo.

A medida faz parte da estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reduzir os efeitos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, sob ordem de Donald Trump, contra produtos brasileiros.

A ideia é usar o poder de compra das Forças Armadas para absorver parte da produção de cooperativas afetadas pela perda de mercado externo. Entre os produtos cotados para aquisição estão castanha-de-caju, castanha-do-pará, mel e suco de laranja.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

“Depois da notícia de que os Estados Unidos finalmente aceitam abrir uma negociação, esperamos que as tarifas caiam pela via diplomática. Mas enquanto isso o governo do presidente Lula trabalha em conjunto para evitar que nossos produtores tenham prejuízos”, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, ao jornal.

Resistência do Exército

Apesar da articulação política, o Exército sinalizou que não pretende aderir à proposta. Em nota, a corporação afirmou que as aquisições seguem a Lei 14.133/2021, com planejamento anual, e que “não possui normas que regulamentem ‘aquisições de oportunidade’ para gêneros alimentícios”.

Segundo o Exército, as compras são definidas com base no efetivo, no histórico de consumo e em catálogos próprios de alimentos. “Até o momento, não há registro de determinações para a aquisição de itens nesse contexto”, informou a instituição.

Alternativa via Conab

O governo já colocou em prática uma segunda medida, via Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). No fim de agosto, a estatal foi autorizada a comprar alimentos em caráter emergencial para formar estoques reguladores. A iniciativa prevê aquisições de até R$ 1,5 milhão por cooperativa ao ano e R$ 15 mil por agricultor familiar, com foco em produtos como castanhas e mel.

A lógica é atuar como um “amortecedor de crise”, garantindo renda mínima a cooperativas e famílias até que a produção possa ser destinada ao mercado interno ou à doação.