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O Bank of America (BofA) divulgou um relatório revisando sua análise sobre mineradoras da América Latina após a temporada de balanços e as movimentações recentes no mercado de commodities e câmbio. E uma das favoritas do banco é a brasileira Vale (VALE3).
Segundo a instituição, a gigante dos minérios apresentou avanços importantes na resolução de questões operacionais – mesmo em meio a condições macroeconômicas desafiadoras, causadas por tarifas e altas taxas de juros – e pode se beneficiar do preço do minério de ferro. Com isso, também aumentam as chances de a empresa distribuir dividendos extraordinários aos investidores.
O banco ainda vê risco na volatilidade do preço do minério, mas segue otimista com a companhia. “Acreditamos que o valuation atrativo, combinado com fundamentos mais favoráveis, oferece margem de segurança suficiente para investir na Vale, mesmo com nossa cautela em relação ao minério de ferro”.
Viva do lucro de grandes empresas
Com minério a US$ 90/t (tonelada), o BofA projeta um yield de FCF (métrica que indica quanto a empresa pode gerar de caixa livre em relação ao seu valor de mercado) de 6% em 2026 (excluindo obrigações de Mariana e Brumadinho) e valuation de 4,2x EV/EBITDA (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) esperado para 2026. O banco manteve a recomendação de compra da ação, com preço-alvo de US$ 12 para o ADR e R$ 68 a ação.
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Outras queridinhas da América Latina
Além da Vale, o BofA também destacou outras empresas de mineração na região. A principal é a gigante mexicana GMEX (Grupo México), um dos maiores produtores de cobre do mundo.
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“Atualmente, as ações da empresa são negociadas com um desconto de 40% em relação ao seu NAV (Valor Patrimonial Líquido), enquanto nossa estimativa de preço justo é de um desconto entre 30% e 35%”, disse a instituição financeira global.
O banco projeta que a produção de cobre da companhia cresça de 1,05 milhão de toneladas em 2024 para 1,2 milhão em 2029, podendo chegar a 1,7 milhão no longo prazo. O aumento deve ser puxado principalmente por projetos da Southern Copper Corporation (SCCO), subsidiária do grupo, que recebeu classificação neutra do BofA.
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Outra aposta é a Ero Copper (ERO), empresa canadense com projetos de cobre no Brasil. Apesar de ter ficado atrás de concorrentes em 2024, o banco acredita que há espaço para valorização, graças à “visão positiva sobre o cobre, gatilhos internos da empresa e uma avaliação atraente”.
No relatório, a instituição financeira também mencionou a brasileira Bradespar (BRAP4), a holding brasileira cujo único ativo em seu portfólio é a Vale. O banco classificou a empresa com desempenho abaixo da média, pois negocia com um “prêmio de 7,1% em relação ao seu NAV (Valor Patrimonial Líquido), enquanto acreditamos que deveria estar com um desconto de 15% a 20%”.
Por fim, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3), uma das maiores empresas de alumínio da América Latina, também foi mencionada. A classificação para a ação é neutra por causa dos desafios atuais desafios operacionais. “Vemos a CBA sendo negociada a 4,4 vezes o EV/EBITDA estimado para 2026 e gerando um pequeno rendimento de fluxo de caixa livre de 3%, mesmo com nossas estimativas mais baixas”, disse o BofA.