Conteúdo editorial apoiado por

Estresse passageiro? Morgan lista 3 fatores de otimismo com a bolsa apesar da guerra

Mesmo com riscos geopolíticos elevados após o ataque dos EUA ao Irã no fim de semana, estrategistas veem razões para manter construtiva para a bolsa americana

Paulo Barros

Publicidade

Apesar da intensificação do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã após o ataque americano contra bases nucleares iranianas no fim de semana, e da tragédia humanitária trazida por mais uma guerra, o Morgan Stanley tem uma boa notícia para os investidores: sua visão positiva para Wall Street não mudou, ao menos por enquanto.

Em relatório publicado nesta segunda-feira (23), o banco sustenta que, apesar das preocupações de operadores com o preço do petróleo, que voltou a subir após breve recuo nesta segunda, há fatores históricos que levam a crer que o impacto pode não perdurar. Além disso, sinais da economia americana dão ensejo a um momento de recuperação.

Confira a seguir os três fatores que, na análise da casa, sustentam o otimismo com as bolsas — mesmo diante de um cenário geopolítico instável.

1. Histórico

Historicamente, o índice S&P 500 registrou ganhos médios de 2%, 3% e 9% nos períodos de um, três e doze meses após eventos de risco geopolítico. Para que o cenário atual represente uma ameaça real ao ciclo econômico, os preços do petróleo teriam de subir mais de 75% na comparação anual — algo que, segundo os analistas, exigiria uma interrupção sustentada no fornecimento pelo Estreito de Ormuz, o que não é esperado no momento.

“O risco está mais relacionado ao petróleo do que ao conflito em si”, apontou o relatório. Mesmo após ter subido diante da escalada do conflito, o preço do petróleo registrava variação negativa ano contra ano até semana passada, o que reduz o potencial inflacionário do choque.

EventoData de Início1 Dia1 Semana1 Mês3 Meses12 Meses
Média0.20%0,60%2,00%3,20% 9,00%
Mediana0.10%0,80%2,80%4,10% 11,40%
Guerra da Coreia6/25/1950-1,10%-2,60%-4,60%7,20%17,60%
Guerra do Vietnã11/1/19550,20%5,50%7,30%3,60%9,70%
Crise de Suez10/29/1956-0,10%2,60%-4,20%-4,10%-12,90%
Crise do Líbano de 19587/15/19580,30%2,90%6,20%13,60%32,00%
Crise dos Mísseis de Cuba10/16/1962-0,30%-6,30%5,10%14,10%26,80%
Guerra Indo-Paquistanesa8/5/19650,30%0,70%3,00%7,80%-2,20%
Guerra dos Seis Dias6/5/19672,00%4,10%3,30%6,50%13,10%
Guerra Árabe-Israelense10/6/1973-0,10%-0,20%-4,00%-11%-41,10%
Queda / Libertação de Saigon4/30/19750,90%2,00%4,40%1,80%17,00%
Crise dos Reféns no Irã11/4/1979-0,60%1,70%5,35%12,30%26,70%
Guerra Soviético-Afegã12/24/19790,10%0,30%5,40%-7,80%26,10%
Guerra Irã-Iraque9/22/1980-0,70%-5,30%1,20%4,10%-10,10%
Força Multinacional no Líbano8/25/19820,80%0,60%4,90%13,90%37,10%
Bombardeio dos EUA à Líbia (1986)4/15/19861,90%2,00%-1,40%-1,70%17,40%
Invasão dos EUA ao Panamá12/20/19890,60%1,70%-1,10%-0,90%-3,70%
Guerra do Golfo8/2/1990-1,90%-3,30%-8,10%-12,60%10,10%
Conflito nas Zonas de Exclusão Aérea do Iraque3/1/1991-0,30%1,20%2,40%5,20%11,40%
Guerra da Croácia3/31/19912,20%2,00%2,40%1,80%8,50%
Guerra da Bósnia4/6/1992-1,90%0,10%2,80%2%9,00%
Guerra do Kosovo2/28/1998-0,40%0,40%5,80%4,10%18,00%
Guerra do Afeganistão10/7/2001-0,50%2,60%5,00%9,60%-26,10%
Guerra do Iraque3/20/20032,30%-0,80%1,90%13,60%28,20%
Invasão Russa à Ucrânia2/20/2022-1,00%0,80%2,60%-9,80%-6,20%

Fonte: Morgan Stanley Wealth Management Global Investment Office e Bloomberg

2. Negócios vão bem

Além disso, a visão otimista se apoia em fundamentos econômicos. A equipe liderada por Michael Wilson projeta crescimento de dois dígitos nos lucros por ação (EPS) até o primeiro semestre de 2026, impulsionado por alavancagem operacional positiva — com as receitas crescendo mais que os custos operacionais e administrativos — e pela fraqueza do dólar, que favorece empresas com receitas internacionais, majoritárias no S&P 500.

3. Ambiente macro já foi pior

O Morgan também vê o atual contexto monetário como favorável às ações. Embora o Federal Reserve adote uma postura cautelosa, a expectativa do banco é de sete cortes de juros em 2026, com possibilidade de início já em julho deste ano, conforme sinalização recente do diretor Christopher Waller.

Onde investir: large caps e energia

A recomendação do banco segue com preferência por ações de grande capitalização, como as do S&P 500, frente às de menor porte, do Russell 2000, que são menos eficientes e mais expostas ao mercado doméstico.

Continua depois da publicidade

A exposição setorial também foi ajustada como proteção ao atual ambiente: o banco mantém posição overweight (equivalente a compra) em energia e underweight (equivalente a venda) em bens de consumo, mitigando os efeitos de possíveis altas no petróleo.

“Salvo uma alta sustentada e significativa nos preços do petróleo, os recentes eventos não alteram nossa visão construtiva para ações nos próximos 6 a 12 meses”, conclui o relatório.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos