O que é o Estreito de Ormuz e por que ele preocupa em meio ao conflito Israel-Irã

Exportadores já intensificam envios em antecipação a uma possível interrupção; entenda como conflito pode fazer preços disparararem

Paulo Barros

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Petroleiros passam pelo Estreito de Ormuz - 21/12/2018 (Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed)
Petroleiros passam pelo Estreito de Ormuz - 21/12/2018 (Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed)

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A escalada do conflito entre Israel e Irã voltou a colocar no centro das atenções um dos principais corredores do petróleo global: o Estreito de Ormuz,. Ameaçado de bloqueio por parte de Teerã, ele fez reacender temores sobre a segurança do fornecimento de energia mundial, especialmente para a Ásia, e já faz grandes exportadores do Golfo se mexerem.

Segundo o New York Times, temendo um bloqueio iminente, países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque aumentaram os embarques de petróleo em até 16% em meados de junho. O movimento não é à toa: segundo analistas, um eventual fechamento do canal pode impulsionar o preço do Brent a patamares ainda mais elevados.

Veja a seguir que é o Estreito de Ormuz, por que ele é importante e como seu possível fechamento pode afetar o comércio mundial de petróleo — e fazer o mundo inteiro sentir os efeitos do novo conflito no Oriente Médio.

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O que é o Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma crucial rota marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, ligando-se ao Mar Arábico. Pela passagem circulam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia — quase 20% do consumo global de líquidos petrolíferos e mais de 25% do comércio marítimo de óleo bruto. Também escoa cerca de um quinto do comércio mundial de GNL, principalmente do Catar.

Apesar de contarem com dutos para contornar a rota marítima, as capacidades são restritas:

Mesmo com essas faixas, estima-se que mais de 15 milhões barris/dia permanecerão reféns do Estreito, sem alternativas viáveis.

Consequência no transporte e seguros

Só a ameaça de interrupção do tráfego de embarcações já traz consequências. O custo do seguro para navios na região subiu cerca de 60%, pressionando embargos de risco e elevando taxas de frete. Se a tendência continuar, reduzirá o número de embarcações disponíveis e poderá gerar atrasos em cadeias de abastecimento, especialmente na Ásia.

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Risco de bloqueio

Autoridades iranianas afirmam que, se os Estados Unidos apoiarem Israel diretamente no conflito, isso legitimaria o fechamento do estreito como retaliação econômica. Tal cenário seria raro, mas teria repercussões significativas: o canal estreito (apenas cerca de 33 km de largura) é perigoso para navegação e não permite desvios simples.

Na quinta-feira (20), o petróleo tipo Brent chegou a subir quase 3%, a US$ 79, com a iminência, depois descartada, de os EUA entrarem na guerra. Mas, mesmo que isso não aconteça, os preços podem subir ainda mais com a interrupção do estreito.

Até quanto o petróleo pode subir?

O Citigroup projeta que o preço do Brent pode saltar para cerca de US$ 90 por barril em caso de fechamento do Estreito de Ormuz. O banco considera esse cenário como parte de sua projeção mais otimista (“bullish case”), mas também avalia que um bloqueio prolongado é improvável. A expectativa é de que todas as partes envolvidas priorizem uma reabertura rápida da rota marítima, o que limitaria a duração da alta nos preços.

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A estimativa do Citi se baseia na possível interrupção de cerca de 3 milhões de barris por dia durante alguns meses, o que impactaria fortemente a oferta global. Ainda assim, analistas do banco apontam que o impacto de uma paralisação das exportações iranianas em si poderia ser menor do que o esperado, uma vez que os embarques do país já estão em queda e refinarias chinesas têm reduzido as compras de petróleo iraniano.

(com agências internacionais)

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos