Fim do cessar-fogo: Israel amplia ofensiva em Gaza após ataque dos Houthis

Bombardeios aumentam mortes, que passam de 700, e cresce pressão internacional sobre o conflito

Paulo Barros

Uma mulher palestina chora ao lado do corpo de um palestino morto em ataques israelenses, no hospital europeu em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 20 de março de 2025. REUTERS/Hatem Khaled
Uma mulher palestina chora ao lado do corpo de um palestino morto em ataques israelenses, no hospital europeu em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 20 de março de 2025. REUTERS/Hatem Khaled

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As Forças de Defesa de Israel (IDF) ampliaram suas operações terrestres e aéreas na Faixa de Gaza na madrugada desta quinta-feira (20). Segundo o Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas, pelo menos 70 foram mortos no ataque mais recente, elevando o total de vítimas fatais para mais de 700 nos últimos dois dias.

Relatos locais indicam que seis casas na região leste de Khan Younis foram atingidas pelos bombardeios israelenses, resultando na morte de pelo menos 10 pessoas e ferimentos em dezenas.

O Exército israelense afirmou que continuará a ofensiva e que suas tropas avançaram até o Corredor de Netzarim, que divide o norte e o sul da Faixa de Gaza.

Uma criança observa enquanto palestinos inspecionam o local de um ataque israelense a uma casa, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 20 de março de 2025. REUTERS/Hatem Khaled

A nova ofensiva vem após Israel interceptar um míssil balístico lançado pelo grupo rebelde Houthi, do Iêmen, em mais um capítulo da retomada do conflito no Oriente Médio, após encerramento do cessar-fogo entre forças israelenses e o Hamas.

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O projétil lançado nesta quinta pelos Houthis foi interceptado pela Força Aérea Israelense antes de cruzar a fronteira, segundo o Exército do país. O sistema de defesa israelense acionou sirenes de alerta em diversas áreas do país, mas não há relatos de feridos ou danos.

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Mísseis são disparados para o céu, supostamente, para uma operação contra os Houthis do Iêmen em um local não identificado nesta captura de tela tirada de um vídeo distribuído em 18 de março de 2025. US CENTCOM via X/Handout via REUTERS

Os Houthis, que são apoiados pelo Irã, alegam agir em solidariedade aos palestinos no conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, após ataques israelenses encerrarem, na terça-feira (18), o cessar-fogo que estava em vigor desde janeiro.

Em pronunciamento em rede nacional, o porta-voz militar do grupo rebelde declarou que o alvo do ataque era o Aeroporto Ben Gurion, próximo a Tel Aviv.

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Fogo e fumaça saem do local de um ataque aéreo em Sanaa, Iêmen, em 19 de março de 2025. REUTERS/Khaled Abdullah

EUA intensificam ataques no Iêmen

A tensão no Oriente Médio aumentou após os Estados Unidos realizarem ataques contra posições dos Houthis no Iêmen. O Pentágono informou que 30 alvos foram atingidos desde o último sábado, na maior operação militar americana na região desde a volta de Donald Trump à Casa Branca.

A escalada de ataques levou Trump a emitir um alerta ao Irã, advertindo sobre “consequências severas” caso os Houthis continuem atacando navios comerciais em rotas estratégicas.

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A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque contra Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando 251 reféns. Desde então, a ofensiva militar israelense resultou em mais de 48.500 mortos em Gaza, segundo o Hamas.

(com informações de BBC e The Washington Post)

Paulo Barros

Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos