Com manutenção da Selic, será que já é hora de deixar a renda fixa?

Investimento apresentou melhor desempenho no 1º semestre, mas expectativas apontam em outra direção até o final do ano

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SÃO PAULO – Na noite da última quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou a manutenção da taxa Selic em 19,75% ao ano, pela segunda reunião consecutiva. A expectativa do mercado, de acordo com o relatório Focus, é de que o juro só comece a cair em setembro, ainda assim, muitas pessoas se perguntam se o bom momento da renda fixa já passou, sendo hora de partir para outros investimentos.

Renda Fixa: melhor desempenho no primeiro semestre

No primeiro semestre, o CDI acumulou ganho de 8,92%, bem superior às fortes quedas de 4,37% do Ibovespa e de mais de 12% do dólar. No entanto, com a previsão da implementação de uma política monetária mais expansionista nos últimos meses do ano, esse quadro pode mudar.

A expectativa do mercado, segundo o relatório Focus do Banco Central, é de que a taxa Selic acumulada entre os meses de agosto e dezembro deste ano fique em cerca de 7,46%, ou 1,45% ao mês em média.

Assumindo que os fundos referenciados DI obterão um rendimento aproximado de 97% do CDI até o final do ano, como foi verificado no ano passado, a expectativa é de que estes fundos se valorizem algo em torno de 7,23% até dezembro ou, em média, 1,41% ao mês.

O momento da renda fixa chegou ao fim?

A média das projeções dos analistas consultados pela InfoMoney para o Ibovespa no final do ano é de algo em torno de 34 mil pontos, o que representa uma valorização de mais de 30% até o final do ano. Mesmo as projeções mais pessimistas apontam para um número próximo aos 29 mil pontos em dezembro, o que significa uma valorização de 13%.

Quanto ao dólar, de acordo com as estimativas do relatório Focus, a expectativa é de que os ganhos até o final do ano cheguem aos 9%, fechando 2005 cotado aos R$ 2,55, fazendo dos fundos cambiais também uma boa aposta.

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Tenha cautela na hora de investir

Analisando somente estes números, a impressão que fica é que o momento da renda fixa parece mesmo ter chegado ao fim. Vale destacar, no entanto, que a crise política aumenta as incertezas relacionadas aos mercados de renda variável, tornando recomendável uma boa comparação entre o risco e o beneficio de cada aplicação na hora de investir.

Ainda assim, se na hora de aplicar seu dinheiro você preferir a esperança de maiores lucros da renda variável, tenha cautela, uma vez que a alta volatilidade destes investimentos pode trazer perdas, o que é prejudicial, em especial, aos pequenos investidores, que não podem esperar por uma recuperação.

Neste contexto, uma carteira diversificada parece ser a melhor opção. A renda fixa deve seguir tendo uma participação significativa, enquanto as parcelas em ações e câmbio devem variar de acordo com a percepção de risco de cada um. Para os mais otimistas, ações podem aparecer como boa alternativa de diversificação, enquanto o dólar pode ser analisado mais de perto por aqueles que acreditam em um cenário mais pessimista.