Fundos de investimento: mercado recupera perda de recursos de 2002

Fundos de investimento captaram quase R$ 60 bilhões em 2003, recuperando grande parte da significativa perda de 2002

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SÃO PAULO – Com a volta da confiança dos investidores no futuro da economia brasileira, a indústria de fundos de investimento foi beneficiada de forma significativa em 2003, praticamente recuperando as fortes perdas registradas em 2002, o pior na história recente desta indústria.

Impulsionado pelo elevado montante de recursos aplicados principalmente nos fundos de renda fixa e multimercados, a indústria de fundos obteve uma captação líquida de recursos de R$ 59,85 bilhões em 2003, segundo dados da Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento).

Recuperação frente a 2002

Neste sentido, o desempenho, em termos de captação de recursos, não poderia ser mais diferente em relação a 2002, quando os fundos de investimento registraram uma perda líquida de recursos de R$ 64 bilhões, a maior de sua história. Com as incertezas em relação ao quadro eleitoral, muitos investidores haviam sacado seus recursos, migrando para o dólar, a poupança e para investimentos reais, como imóveis.

Já em 2003 o quadro foi completamente diferente, com a política econômica adotada pelo governo sendo “aprovada” pelo mercado e propiciando o retorno dos recursos, atraídos tanto pelo menor risco como pela maior rentabilidade, tanto na renda fixa como na renda variável.

Fundos de Renda Fixa lideram entradas

Com a maior confiança dos investidores e o elevado nível das taxas de juros, dentro de um cenário de queda da inflação, os fundos de renda fixa foram os mais beneficiados, registrando, na soma de suas quatro subcategorias, uma captação líquida de R$ 29,518 bilhões em 2003.

O maior destaque ficou com os fundos de renda tradicional, que após terem perdido R$ 20 bilhões em recursos administrados em 2002, registraram uma captação líquida de R$ 20,5 bilhões em 2003, também segundo dados da Anbid.

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Também os fundos multimercados, nos quais os investidores podem diversificar suas carteiras, aplicando tanto em renda fixa como renda variável, mostraram bom desempenho em termos de captação.

Após terem perdido R$ 5,65 bilhões em recursos em 2002, as quatro subcategorias captaram R$ 23,38 bilhões, liderado pela categoria de multimercados alavancados e com renda variável, com entrada líquida de R$ 9,99 bilhões.

Migração de recursos a partir dos fundos DI

Com o cenário mais otimista em 2003, os investidores passaram a adotar uma postura mais agressiva em seus investimentos, migrando recursos de categorias consideradas mais “defensivas” para fundos onde a possibilidade de ganhos é maior.

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Com isso, a grande prejudicada foi a categoria de fundos DI, que, mesmo após ter perdido quase R$ 29 bilhões em 2002, não conseguiu se beneficiar da forte entrada de recursos na indústria de fundos e, no ano passado registrou uma captação líquida negativa de R$ 569 milhões.

Com isso, a categoria, que liderava e representava 25,39% do patrimônio total da indústria de fundos em 2002, acabou vendo sua proporção cair para 19,85%, perdendo a liderança para a categoria de fundos de renda fixa tradicional.

Fundos de ações seguem perdendo recursos

A surpresa ficou por conta dos fundos de ações, que após terem registrado uma saída líquida de recursos de R$ 605,3 milhões em 2002, não conseguiram se beneficiar, ao menos em termos de captações, do excelente desempenho da Bovespa e voltaram a perder recursos em 2003, com uma captação líquida negativa de R$ 1,48 bilhão.

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No entanto, isso não significa que menos recursos foram alocados ao mercado de ações. Novamente a migração de recursos explica o que ocorreu com o investimento em ações, já que muitos investidores acabaram optando não por investir nos fundos de ações, mas sim nos multimercados com renda variável.

Boas perspectivas para 2004

Embora a indústria de fundos de investimentos não deva repetir o desempenho registrado em 2003 no que diz respeito às captações, as perspectivas para 2004 são positivas, principalmente se o governo prosseguir adotando políticas econômicas consistentes e se o cenário internacional seguir positivo.