A Quaest realiza suas pesquisas de intenção de voto a partir de entrevistas pessoais feitas em domicílio ‒ um dos métodos mais tradicionais para este tipo de serviço ‒, mas incorpora novos conceitos estatísticos com o objetivo de refinar seus resultados.

Instituto:Quaest Pesquisas, Consultoria e Projetos
Metodologia:Pesquisa presencial em domicílio
Principal(is) contratante(s):Genial Investimentos
Quantidade de entrevistas:em média, 2.000 entrevistas

“Nós trabalhamos com uma filosofia de que o trabalho de amostragem é muito importante, mas pode não ser suficiente para dar uma estimativa precisa e eficiente. Além da amostragem, temos que ser capazes de ponderar o resultado para corrigir desvios na amostra”, explica o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador do instituto.

Estágios da pesquisa Quaest

A amostra da pesquisa Quaest é formada por conglomerados, selecionados em três estágios. No primeiro, é feito um sorteio probabilístico dos municípios que farão parte da amostra, por meio do método de probabilidade proporcional ao tamanho (PPT), a partir de suas populações votantes acima de 16 anos.

Tal mecanismo faz com que cidades que concentrem mais eleitores tenham mais chances de serem selecionadas do que aquelas de menor porte, de modo a garantir a representatividade da população analisada pela amostra.

No segundo estágio, é realizado um novo sorteio para a seleção de setores censitários (pequenas áreas compostas por alguns quarteirões) a serem visitados pelos entrevistadores nos municípios selecionados previamente.

“Nossa amostra é probabilística até o último estágio. E por que sorteamos? Pelo mesmo motivo que a Champions League (campeonato de clubes de futebol europeus) sorteia o chaveamento dos times. O sorteio é um critério completamente neutro, sem viés”, conta Nunes. Ao todo, são definidas cerca de 300 regiões em 120 municípios.

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Por fim, no terceiro estágio, são selecionados domicílios e pessoas a serem entrevistadas. Desta vez, o método adotado não é o sorteio, mas o de cotas amostrais cruzadas. Neste caso, as variáveis consideradas pelo instituto são: sexo, idade, escolaridade, renda e situação econômica, buscando respeitar as proporções do eleitorado em geral.

Definição da amostra

Em pesquisa realizada nas últimas eleições presidenciais (BR-07181/2026), a Quaest definiu a seguinte distribuição amostral esperada:

  • Sexo: Masculino (47%); Feminino (53%);
  • Faixa etária: 16-34 anos (32%); 35-59 anos (45%); 60 ou mais (23%);
  • Renda domiciliar total, incluindo pensões, benefícios e rendimentos de trabalhos informais: Até 2 salários-mínimos (31%); Mais de 2 a 5 salários-mínimos (42%); Mais de 5 salários-mínimos (27%).
  • Nível de instrução: Até Fundamental completo ou médio incompleto (41%); Médio completo ou superior incompleto (40%); Superior completo ou mais (19%).

O instituto utiliza dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como referência para as divisões da amostra sob os critérios de sexo e idade. Já para distribuição de renda domiciliar, a PNAD Contínua anual de 2025 (1ª visita); e para a distribuição de escolaridade/instrução, a PNAD Contínua do 1º trimestre de 2026.

A PNAD Contínua é considerada a fonte oficial mais atualizada sobre rendimentos do país, incluindo aqueles informais, pensões e outros; corrige as defasagens temporais do Censo 2022; e é a fonte mais atualizada em nível de instrução da população com 16 anos ou mais.

A operação de definição da amostra da Quaest também prevê uma eventual pós-estratificação da amostra, por meio de algoritmos de calibração (rake) e modelos de pós-estratificação e regressão multinível (MRP, ou multilevel regression and poststratification, no original), para corrigir estimativas e distribuições das variáveis sexo, idade, renda familiar e escolaridade, caso ocorram diferenças entre os percentuais previstos na amostra e a coleta de dados realizada.

“A partir de dados da Pnad, por exemplo, fazemos cruzamentos das variáveis que nos importam para chegar a uma definição de tamanho de subgrupos (como o percentual de homens brancos ricos do Sudeste). Fazemos 400 subdivisões na amostra com esses subgrupos, verificamos esse percentual na população e utilizamos o dado para criar uma ponderação estatística”, explica Nunes.

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O especialista argumenta que, desta forma, não apenas as variações marginais são monitoradas, mas detalhes que poderiam não ser percebidos durante o trabalho de campo.

“Não estamos interessados em colocar todo o peso do trabalho na amostragem, porque sabemos que há erros que vêm da coleta de campo. Então, usamos uma técnica estatística que não é simplesmente a ponderação tradicional do mercado. Trabalhamos com a ideia de que a amostra tem que variar dentro da margem de erro, mas que temos que corrigir variações de subgrupos”, diz.

Realização das entrevistas

Todas as pesquisas do instituto são realizadas em tablets ou outros dispositivos eletrônicos, gravadas e com dispositivo de geolocalização, que só libera o acesso ao sistema para preenchimento quando o entrevistador está na localidade predeterminada.

A Quaest tem uma equipe específica que verifica as respostas aos questionários e a adequação dos entrevistados aos parâmetros amostrais. No caso de entrevistas que saiam do padrão de qualidade definido, elas são anuladas, e outros pesquisadores são enviados aos respectivos locais para refazer os questionários.

Margem de erro da pesquisa Quaest

O instituto costuma trabalhar com 2.000 entrevistas, um nível de confiança estimado em 95% e uma margem de erro máxima prevista, baseada em uma amostra aleatória simples (AAS), de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo em relação aos totais da amostra. Os números, contudo, podem variar de acordo com o tamanho da amostra. Tudo o mais constante, quanto maior o número de entrevistas, menor a margem de erro.

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