Dólar foi o investimento mais rentável de junho

Dólar dispara em junho com instabilidades no mercado financeiro, mas ouro segue na liderança no acumulado do ano; bolsa novamente lidera quedas

Publicidade

SÃO PAULO – Devido às novas turbulências que assolaram o mercado financeiro, os investimentos em ouro e dólar foram os que mais renderam em junho, repetindo o resultado dos últimos meses. As perdas nos fundos de Renda Fixa e DI abalaram a confiança do mercado e resultaram em fortes saques por parte dos investidores.

Com isso, muitos gestores foram obrigados a vender os títulos públicos para fazer frente à onda de saques. Como ocorre com qualquer outro ativo, quando há mais pessoas querendo vender do que comprar, o preço tende a cair. Diante desta tendência, os títulos públicos sofreram forte desvalorização e o mercado passou a duvidar da condição do governo em arcar com sua dívida pública, intensificando o pessimismo e fechando um desastroso círculo vicioso.

Dólar dispara em junho

Diante de um cenário extremamente negativo, muitos investidores preferem comprar dólares, moeda forte e de baixo risco, a investir em títulos da dívida brasileira, ou mesmo em ações. Assim, a moeda norte-americana registrou forte valorização de 12,18% somente em junho, atingindo cotações recordes, superiores inclusive àquelas verificadas após os atentados terroristas de 11 de setembro.

No acumulado do ano até o final de junho, o dólar registrou valorização de 21,77%, ficando atrás apenas dos ganhos das aplicações em ouro, que foram de 35,6% neste mesmo período. No mês de junho, por sua vez, os investimentos em ouro ficaram com o segundo lugar no ranking das aplicações, com um ganho de 9,3%.

Fundos DI recuperam perdas em junho

Os fundos DI voltaram a registrar rentabilidades próximas às atingidas até o mês de maio, mês em que a mudança nas regras de contabilização dos seus investimentos levou muitos fundos a registrarem perdas. Assim, segundo a taxa efetiva da Andima (Associação Nacional das Instituições de Mercado Aberto), tais aplicações renderam, em média, 1,32% em junho e acumulam variação positiva de 8,66% em 2002.

Já os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) pré-fixados apresentaram rentabilidade média de 1,27% em junho, o que eleva a valorização acumulada no ano para 8,43%. Vale ressaltar que muitos investidores migraram seus recursos dos fundos DI e Renda Fixa, destinando parte para aplicações em CDBs.

Continua depois da publicidade

Porém, quem optou por essa saída saiu em desvantagem. Primeiro porque, como esperado, os fundos DI recuperaram as perdas devido ao ajuste de cotas e voltaram a registrar rentabilidades semelhantes às tradicionais, superiores às contabilizadas pelos CDBs.

Finalmente, é importante ressaltar que na hora em que optou pela transferência de recursos, o investidor teve que pagar CPMF (Contribuição sobre Movimentação Financeira), contribuição que terá que pagar novamente ao renovar tal aplicação junto à instituição financeira, algo que não ocorre para aplicações em fundos de investimentos.

Isto porque nos CDBs não existe re-investimento automático dos recursos, portanto a cada vencimento do título, o investidor é obrigado a pagar novamente CPMF, o que compromete a rentabilidade destas aplicações.

Continua depois da publicidade

Poupança volta a perder da inflação

Perdeu ainda mais o investidor que migrou dos fundos para a caderneta de poupança que, a exemplo dos CDBs, registrou captações recordes em junho. No último mês, o tradicional investimento rendeu apenas 0,659% e novamente ficou bem abaixo da inflação 1,54% registrada no período pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado).

No ano, as aplicações em caderneta de poupança acumulam variação positiva de 3,72%, e ganham apenas 0,24 ponto percentual sobre a inflação de 3,48% registrada em 2002.

Bolsa novamente lidera perdas

O investimento na Bovespa foi novamente a pior aplicação do mês, registrando valorização negativa de 13,39% somente em junho. Somado-se ao cenário bastante negativo, os investidores foram novamente contrariados pelo Banco Central neste mês, quando a autoridade monetária manteve a taxa de juros básica da economia, a Selic, em 18,5% ao ano.
Assim, a compra de ações acaba se tornando pouco atrativa, pois, além do alto risco embutido, é possível obter ganhos mais atrativos com os fundos DI e de Renda Fixa, ou mesmo CDBs, investimentos de baixíssimo risco.

Continua depois da publicidade




























Investimento Junho Em 2002
Ouro 9,3% 35,6%
Dólar comercial 12,18% 21,77%
Dólar paralelo 6,65% 9,96%
Fundos DI* 1,32% 8,66%
CDB (taxa média) 1,27% 8,43%
Ibovespa -13,39% -17,96%
IGP-M 1,54% 3,48%
IPCA 0,21% 2,51%

* Taxa Efetiva Andima