| Nome completo: | Dario Carnevalli Durigan |
| Formação: | Graduação em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília (UnB) |
| Última ocupação: | Head de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil (2020 a 2023) |
| Atuação profissional anterior: | Advogado na Consultoria Jurídica da União (2017 a 2020), Assessor da Prefeitura de São Paulo (2015 a 2016), assessor jurídico da Casa Civil (2011 a 2015) |
Com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a pasta é o do secretário-executivo Dario Durigan.
Atual braço direito de Haddad, ele se consolidou como o principal gestor interno do ministério e como figura-chave na engrenagem da política fiscal do governo Lula.
Durigan assumiu a secretaria-executiva em maio de 2023, após a saída de Gabriel Galípolo para o Banco Central. Desde então, passou a concentrar a coordenação do dia a dia da Fazenda: acompanha a execução orçamentária, articula tecnicamente as áreas internas, conduz negociações com outros ministérios e representa Haddad em compromissos institucionais.
Na prática, tornou-se o elo entre o desenho político das diretrizes e a implementação técnica das decisões.
Internamente, Durigan é descrito como avesso à exposição pública e focado na construção técnica das políticas. Não é visto como um articulador político clássico no Congresso, mas como alguém com bom trânsito institucional na Esplanada, capaz de coordenar áreas sensíveis e administrar conflitos internos.
O próprio Haddad contribuiu para projetar o secretário-executivo. Em entrevistas recentes, evitou tratar de sucessão, mas fez elogios diretos ao auxiliar, classificando-o como “excepcional” e destacando a qualidade técnica da equipe econômica. A fala foi interpretada como um gesto de confiança e como sinal de que uma transição interna não seria vista como ruptura.
Para investidores e analistas, o perfil de Durigan responde a uma preocupação central: a previsibilidade. Em um cenário eleitoral, sua ascensão pode ser lida como manutenção da estratégia fiscal vigente, reduzindo o risco de guinadas abruptas.
Assim, mais do que um nome político, Dario Durigan passou a ser visto como o retrato de um técnico de bastidores que ganhou estatura para ocupar o centro da política econômica brasileira.
Da articulação política ao centro das decisões econômicas
Desde que chegou ao Ministério da Fazenda, Dario passou a atuar como principal ponte entre o ministro Fernando Haddad e o Congresso Nacional, coordenando negociações e alinhando propostas econômicas com a base governista. Na prática, sua atuação envolve tanto a interlocução com líderes partidários quanto o ajuste fino de textos para viabilizar acordos.
Ainda em 2023, participou das discussões que resultaram no novo arcabouço fiscal e acompanhou a tramitação da reforma tributária. Nos bastidores, teve papel na construção de acordos que viabilizaram o avanço das medidas no Legislativo, em um ambiente de divergências entre setores econômicos e diferentes correntes políticas.
Em 2024, ganhou mais protagonismo ao assumir a coordenação da fase de regulamentação da reforma tributária. Aquela etapa foi considerada a mais complexa, por envolver disputas entre setores, definição de alíquotas e pressões por regimes diferenciados, além da necessidade de traduzir a proposta aprovada em regras operacionais.
Ao mesmo tempo, esteve envolvido na formulação de propostas voltadas ao aumento de arrecadação e ao reequilíbrio das contas públicas, em um cenário de pressão sobre as metas fiscais do governo. Na prática, isso incluiu a construção e negociação de medidas como a tributação de fundos exclusivos e de investimentos no exterior, além da revisão de benefícios fiscais, temas sensíveis tanto para o mercado quanto para o Congresso.
Essas iniciativas enfrentaram resistência no Congresso e no setor privado, exigindo articulação constante da equipe econômica para evitar desidratação das propostas. Nesse contexto, Durigan atuou na interlocução com parlamentares e na calibragem das medidas, buscando garantir avanço da agenda sem comprometer o apoio político necessário, muitas vezes com ajustes de última hora nos textos.
Formação jurídica e trânsito entre governo e tecnologia
A carreira de Durigan no Direito começou em 2005, quando ainda cursava a faculdade. Na época, foi estagiário de um escritório de advocacia, onde permaneceu até 2007, quando passou a estagiar no Ministério Público Federal.
Dois anos depois de concluir a graduação, em 2009, foi advogado pela USP. Logo depois, tornou-se coordenador de projetos do Departamento de Gestão Estratégica da Advocacia Geral da União (AGU), cargo que ocupou até 2011, com atuação voltada à organização e acompanhamento de políticas públicas.
Entre 2011 e 2015, atuou como assessor da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, durante o governo de Dilma Rousseff, área responsável por analisar a legalidade de atos e projetos do Executivo. Após a saída da pasta, foi assessor especial de Fernando Haddad, na prefeitura de São Paulo, cargo que ocupou de 2015 a 2016, reforçando a relação profissional entre os dois.
De 2017 a 2020, Durigan atuou novamente na Consultoria Jurídica da União em São Paulo, tendo deixado a função em 2020 para assumir a Diretoria de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil. No cargo, passou a lidar com temas regulatórios e institucionais, em um momento de maior pressão sobre plataformas digitais no país.