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SÃO PAULO – No primeiro trimestre de 2011, houve uma desaceleração do consumo dos brasileiros de itens de alimentos, higiene, limpeza e bebidas, conforme revelou uma pesquisa realizada pela Kantar Worldpanel.
Segundo avaliação da diretora de varejo da entidade, Fátima Merlin, isso ocorreu, “em primeiro lugar, porque desde 2010 o brasileiro está com o bolso mais apertado e comprometido, ao gastar mais do que ganha”.
Para se ter uma ideia, dados de 2010 da Kantar Worldpanel mostram que os integrantes da classe C tinham um rendimento mensal médio de R$ 1.840,02, mas um gasto médio de R$ 1.883,34, o que dá uma diferença negativa de R$ 43,32.
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Já na classe DE, a renda média por mês foi de R$ 1.149,69, enquanto os gastos médios ficaram em R$ 1.222,07, gerando uma diferença negativa de R$ 72,38. Apenas a classe AB teve saldo positivo: R$ 72,18. Isso porque sua renda média mensal foi de R$ 4.102,74 e o gasto médio de R$ 4.030,56.
Aumenta o gasto e diminui a frequência de compras
Assim, com as finanças desequilibradas, outro item também interferiu no desaceleração do consumo do brasileiro: o aumento significativo dos preços em diversas categorias. “Isso fez com que os consumidores comprassem menos, já que seu poder de compra estava menor”, explica Fátima.
Diante desse cenário, ela observa que o brasileiro buscou alternativas para não retirar nenhuma categoria de sua cesta de consumo. E ele encontrou a redução do volume comprado, mediante um gasto mais elevado em cada compra realizada.
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Os dados da pesquisa mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em março de 2010, a frequência da compra mensal era de 15,1 vezes e o tíquete médio, de R$ 12,79. Em compensação, no mesmo período deste ano, a frequência reduziu para 14,9, ao passo que o gasto médio subiu para R$ 14,35.
Categorias de consumo
Outro ponto avaliado pela diretora de varejo mostra que, desde 2005, a cesta de compras e as quantidades consumidas pelos brasileiros mudou completamente.
As principais alterações foram percebidas entre as classes mais populares, já que, em cinco anos, elas aumentaram 20 categorias, o que dá uma média anual de quatro. A classe C, por sua vez, teve um aumento mais parecido com a América Latina, de uma categoria por ano.
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Na tabela abaixo é possível verificar quais as cinco categorias com valor agregado que mais penetraram na cesta de compras dos brasileiros e as que mais saíram:
| Categoria | Variação |
|---|---|
| Cremes e loções | 7,1% |
| Detergente líquido para roupa | 7,1% |
| Inseticida | 4,9% |
| Leite aromatizado | 4,7% |
| Sobremesa pronta | 4,5% |
| Suco concentrado | -1,9% |
| Cera para assoalho | -2,1% |
| Cereal matinal | -2,5% |
| Polpa + purê | -4,3% |
| Pasteurizado | -5,8% |
| Fonte: Kantar Worldpanel | |