O que o fechamento de uma corretora cripto diz sobre o destino da Binance nos EUA

Operação que fechou a Bitzlato foi a primeira ação liderada pela equipe do Departamento de Justiça focada em cripto

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(Danny Nelson/CoinDesk)
(Danny Nelson/CoinDesk)

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*Por Daniel Kuhn

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) anunciou na semana passada o fechamento da exchange cripto pouco conhecida Bitzlato.

A divulgação do episódio foi feita de forma espalhafatosa e mostrou que o governo não sabia muito bem o que era a empresa. As autoridades chegaram a escrever incorretamente o nome do negócio ao fazer o upload de documentos judiciais.

“Parece que eles ouviram sobre essa exchange pela primeira vez hoje também”, tuitou o pesquisador de criptomoedas Bennett Tomlin, que notou a anomalia.

Mas dado o momento conturbado da indústria cripto- com falências de exchanges como a FTX e investigações na cola de grandes grupos, como a Binance – o comportamento do governo norte-americano até que é compreensivel.

O que o episódio – criticado por players do setor – mostrou é que os Estados Unidos vão pegar ainda mais pesado com empresas do ramo.

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Mas o que era a Bitzlato exatamente?

A Bitzlato era uma exchange de criptomoedas registrada em Hong Kong e administrada pelo cidadão russo Anatoly Legkodymov (conhecido como “Gandalf”).

A acusação alegou que a corretora processou cerca de US$ 4,5 bilhões em transações de criptomoedas desde sua fundação em 2018, dos quais US$ 700 milhões saíram ou foram parar no Hydra, o maior mercardo ilegal da Internet.

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Além disso, um volume “significativo” supostamente veio de clientes dos EUA – o que significa que o montante estaria sujeito a “salvaguardas regulatórias” do país.

A investigação conduzida por várias autoridades – incluindo o DOJ, o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o Departamento do Tesouro em conjunto com cerca de meia dúzia de agências europeias – supostamente descobriu que a Bitzlato estava operando sem identificar propriamente a identidade de clientes e foi usada para lavar dinheiro de fontes ilícitas, incluindo ransomware (vírus sequestrador que cobra resgate em cripto) e tráfico de drogas.

Legkodymov supostamente estava ciente de que sua exchange era usada pelo que ele chamava de “bandidos” e até a anunciava como tal. Se condenado por operar um negócio ilegal de negociação, Legkodymov enfrentará uma pena máxima de cinco anos.

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Poucos tinham ouvido falar da Bitzlato ou de seu operador Gandalf antes da coletiva de imprensa. Em seu auge, a corretora detinha apenas US$ 6 milhões em fundos – uma quantia notavelmente minúscula. Da mesma forma, pesquisas semelhantes na Web mostram quão pouco tráfego o site tinha.

Tudo isso levanta a questão do porquê as agências se gabam do que parece ser um trabalho policial relativamente simples.

As palavras recentes de um procurador-geral adjunto de Mônaco talvez respondam: “as ações (daquele dia) enviam uma mensagem clara: independentemente de você infringir nossas leis na China ou na Europa – ou abusar de nosso sistema financeiro em uma ilha tropical – você pode esperar responder por seus crimes dentro de um tribunal dos Estados Unidos.”

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O que parece é que a polícia vai atuar e que, embora a indústria cripto possa ser global e “descentralizada”, muito desse trabalho de investigação começará e terminará nos EUA. E isso não é novidade. A superpotência não é chamada de “policial do mundo” à toa. Da mesma forma, o “braço longo da lei” lutou em várias empresas offshore ao longo dos anos.

Ainda assim, é uma afirmação forte – e isso pode causar arrepios na espinha do CEO da Binance, Changpeng Zhao. A principal contraparte da Bitzlato foi a Binance, seguida pela Hydra e um suposto esquema Ponzi chamado “Finiko”.

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O site especializado Protos sugeriu que a investigação da Bitzlato provavelmente foi iniciada, ou acelerada, pela apreensão de documentos do mercado Hydra no ano passado. Se isso fosse verdade, significa que o DOJ, que supostamente já está investigando a Binance, teria dados semelhantes sobre os fluxos entre a Binance e a Hydra.

De acordo com pesquisa feita em 2021 por Igor Makarov e Antoinette Schoar do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, uma organização sem fins lucrativos norte-americana, a Bitzlato foi a segunda maior fonte de volumes da Hydra depois da Binance (e acima da rede P2P LocalBitcoins).

Isso não foi feito necessariamente para pôr a Binance no alvo, afinal a exchange impulsionou seus procedimentos de verificação de identidade e relacionamentos com reguladores ao longo dos anos.

Mas é claro que a Comissão de Valores Mobiliários do EUA (a SEC) está interessada em olhar mais a fundo a corretora. Além disso, a Binance está lidando com acusações de lavagem de dinheiro.

No mínimo, a acusação da semana passada do DOJ apenas provou que os reguladores e a polícia têm as ferramentas necessárias à sua disposição para investigar e indiciar supostos “criptocriminosos”. Dado o colapso da FTX e de outras empresas cripto no ano passado, os legisladores começaram a pedir regras mais rígidas e supervisão do setor.

De acordo com o jornal Washington Post, a operação que fechou a Bitzlato foi a primeira ação liderada pela equipe do Departamento de Justiça focada em cripto, que foi criada em 2021. Também foi uma oportunidade para a Rede de Repressão a Crimes Financeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Undidos (FinCEN) estrear mais poderes concedido por uma lei de autorização de defesa de 2021 para combater crimes financeiros relacionados à Rússia.

*Daniel Kuhn é é repórter e editor-assistente de opinião da coluna “Layer 2” do CoinDesk

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