Binance é acusada de misturar lastro de tokens com recursos de clientes

Porta-voz da corretora, que pediu para não ser identificado, relatou a situação para a Bloomberg

CoinDesk

(Vadim Artyukhin/Unsplash)
(Vadim Artyukhin/Unsplash)

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A Binance, maior exchange do mundo em volume de negociação, manteve por engano o lastro de alguns criptoativos que emite na mesma carteira de recursos pertencentes a seus clientes, informou a Bloomberg nesta terça-feira (24). O veículo ouviu um porta-voz da corretora, que pediu para não ser identificado.

A exchange emitiu 94 Binance-peg (B-Tokens), ativos emitidos na rede da corretora e que devem ser lastreados na proporção de 1:1 – as reservas para quase metade deles são armazenadas em uma carteira cripto fria (fora da internet) chamada Binance.

Essa carteira, no entanto, contém mais tokens do que o necessário para o número de B-Tokens emitidos. Como os tokens devem ser pareados, o excesso indica que o saldo contém também criptoativos dos clientes, de acordo com o veículo.

Em nota ao InfoMoney, a exchange afirmou que “os ativos colaterais foram previamente movidos para essa carteira por engano e referenciados dessa forma na Prova de Reservas dos B-Tokens”.

“A Binance está ciente desse erro e está no processo de transferir esses ativos para carteiras de garantia dedicadas. Isso estará visível na blockchain e refletido na página da Prova de Reservas em um futuro próximo”, continua a nota. “Enfatizamos que todos os ativos de usuários mantidos com a Binance foram e continuam sendo respaldados 1:1, apesar de erros operacionais como esse”.

Quando recursos de clientes são agrupados em carteiras de garantias de tokens, elas são bloqueados e os donos dos ativos podem não conseguir sacá-los se o pool de garantias for reduzido, disse Laurent Kssis, consultor de trading de criptomoedas da CEC Capital, em nota ao CoinDesk.

“Em essência, isso significa que não há segregação de ativos entre os fundos dos clientes e qualquer garantia utilizada”, disse Kssis. “Isso pode fazer com que os proprietários não consigam sacar por falta de fundos ou liquidez da exchange”.

Ele completou dizendo que isso pode lembrar como a FTX e a Alameda Research funcionavam. “Uma auditoria geralmente destacaria tais deficiências e pediria para corrigi-las imediatamente”, disse ele. “Se a Binance fosse regulamentada, isso seria uma parte essencial de seus controles internos”.

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A Binance tem enfrentado intenso escrutínio desde o colapso da exchange cripto FTX e de sua empresa-irmã Alameda Research. Como resultado, a corretora buscou aumentar a confiança em sua plataforma ao emitir um relatório de “prova de reservas” da empresa de auditoria Mazars em dezembro.

O relatório mostrou que as reservas de Bitcoin (BTC) dos clientes da corretora estavam sobrecolateralizadas. No entanto, a Mazars retirou o documento do ar logo depois e cancelou o contrato com a empresa, alegando “preocupações sobre a forma como esses relatórios são entendidos pelo público”.

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